Posts de Márcia Aparecida Mancebo (1966)

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Velhos tempos

                         Velhos tempos.

                Nesta noite de inverno, o vento geme de dor, num ruído tristonho de lembranças: da sala, da lareira, esquentando o ambiente Da  mesa posta para o jantar. Um cheiro de comida caseira é bem-vinda.
                 Ao redor da mesa, risos e gargalhadas, lembrando os anos do tempo de criança. No ar, um som de uma canção antiga que todos não esqueceram o refrão. Velhos tempos!
                   A taça de vinho é o brinde da união familiar. Um gesto, uma palavra lembra a falta de alguém.       
Alguém que ensinou a importância do amor, da empatia e da amizade.
                Lá fora, o vento se cala e vem a garoa fria, enquanto, na sala, o amor esquenta a união. A noite segue embalando os corpos sonolentos. Mais uma reunião da família como antigamente.
                Ninguém fala, mas a falta na sala é evidente. No porta-retrato, a saudade tem aroma e sabor.

                Márcia Aparecida Mancebo

                    Itapeva, SP

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Madrugada de Saudade

Nas noites insones, a madrugada;
A mim é longa, cheia de saudade.
Com tua imagem na mente estampada,
Te vejo surgir de uma claridade.

Claridade, que adentra da vidraça;
Surges, para aumentar minha agonia.
E o mesmo filme na memória, passa
Do adeus naquela madrugada fria.

O tempo segue e teu vulto me abraça
No devaneio que está ali presente.
No teu abraço sinto que me enlaça,
Minha alma anseia o que está em mente.

Então, desperto deste devaneio.
E a saudade, num ato derradeiro,
Para iludir este meu louco anseio,
Deixa o teu cheiro no meu travesseiro.

Márcia Aparecida Mancebo
08/08/25

Itapeva, SP

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Lágrimas e gemidos

Lágrimas e gemidos.

Descansa na paz minha alma saudosa!
Essa dor de amor abre-se em feridas.
Nelas abrolham rosas espinhosas,
Cobrindo minha face tão sofrida.

Tantos sonhos para serem vividos…
O mar os levou pra águas sem fim.
Minha alma, entre lágrimas e gemidos;
Não me abandona do início ao fim.

De todas amarguras já sentidas,
Não há dor maior que perder o amor.
É como ficar no escuro da vida,
Num mar de agonia sem ter ardor…

Amores perdidos são como flores,
O vento as leva pela imensidão;
Tornam-se antigos diante das dores,
Não são esquecidos pelo coração.

Márcia Aparecida Mancebo
02/07/25

 

( Itapeva, SP)

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Florescer

Florescer

Carrego no peito uma esperança nata,
É ela que me sustenta pelo caminho
Em meio às tempestades, me arrebata,
Me salva, para que eu não siga sozinho.

Nos momentos difíceis de dor, tristeza,
Quem guia os meus passos é esta esperança
Que em mim habita, tirando-me incertezas,
Para que eu tenha fé e perseverança.

Ela é o meu cajado nas noites escuras.
Um farol sempre atento em revolto mar
Clareando a minha estrada, me segura!
Me incentivando a seguir sem fraquejar.

Esta esperança que habita em minha mente
Sussurrando-me, para eu não desistir
E, sempre, confiar que simplesmente:
A vida floresce, enfeitando o porvir.

Márcia Aparecida Mancebo

 

(Itapeva, SP)

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Meu Canto Para Teu Perdão

Hoje, a lembrança de ti foi tamanha,
Que, ao lembrar-te, senti a dor da saudade;
Pois minha alma se agita e por ti clama,
Como se fosses minha deidade.

Meus olhos ofuscam num choro profundo,
Ao lembrar que voei qual um condor,
Quando tentei conquistar o meu mundo.
Pura ilusão! Hoje, mergulho na dor.

Nas noites, penso: onde caminhas,
Se, no meu lugar, tens outra paixão?
As ideias flutuam, não se alinham…
Isto faz doer o meu coração.

Minha atitude não ficou clara. Portanto,
A tristeza me abate ao te dizer:
Estou sozinha aqui no meu canto…
Me aceita, para curar meu sofrer.

Márcia Aparecida Mancebo
13/07/25

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Ausência

Ausência

Que me assombra com luz tremeluzente.
É essa chama que insiste em perguntar.
Por onde anda o meu amor tão ausente?
Que com flores veio me conquistar?

Chegou com o vento que vem do sul.
Adentrou meu coração com promessas.
Bordou meu caminho com o azul.
Agora, a saudade é doída à beça.

Enviei cartas ao seu endereço.
E no telefone deixei mensagens.
Será que não tem mais por mim, apreço?
Ou retirou da mente a minha imagem?

Onde estiveres e lembrares de mim.
E ouvires um ruído vindo à distância.
Saibas que sou eu clamando assim;
Vem, quero sentir amor, tua fragrância.

Márcia Aparecida Mancebo

(Itapeva, SP)

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Triste fim... ( Reeditado)

13674320873?profile=RESIZE_400xTriste fim...

Que posso te dizer se estás ausente;
Se sabes muito bem que me angustio?
Sozinha sou medrosa é tão vazio;
Eu quero-te a meu lado aqui presente!

Sem ti a vida é triste e sinto frio,
A noite acinzentada é diferente.
Minha alegria morre de repente
E tudo ao meu redor é tão sombrio!

E sem me explicar esse processo
Insistes em me deixar aqui sozinha...
A tua espera tornou-se rotina.

Não vou mais implorar o teu regresso
E nem sentir saudade que avizinha
Triste fim deste amor que hoje termina!
.

Márcia Aparecida Mancebo

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Falei demais, não pensei

Falei demais, não pensei.

Deveria calar, não ter falado.
Não dizer as tolices no momento.
O que veio à mente foi proclamado;
As palavras vieram como o vento.

Partiste tão-só, ah, como lamento!
Não dá mais tempo pra voltar atrás.
Me corrói a dor do arrependimento.
Deveria calar, falei demais.

Agora, sigo só, e sem destino.
Vejo rostos, enxergo tua imagem.
Caminho sem rumo, qual peregrino;
Não vejo beleza, nem na paisagem.

Carrego um peso e o coração partido.
Minha alma triste sofre ao suspirar.
Aflita pela ausência de um pedido:
Não ter implorado para ficar.

Márcia Aparecida Mancebo

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Sombra Traiçoeira ( Grupo Imagem Poesia)

13672632491?profile=RESIZE_400xSombra traiçoeira

Nesta vida turbulenta e nebulosa
Sinto o pensamento em chamas ardentes
E sem entender, oro fervorosa;
Sinto-me presa por fortes correntes!

Refém de um labirinto escuro do medo;
Escrava da dúvida, não sinto o amor.
Anseio liberdade e temo o enredo
que me conduz ao caos e ao torpor.

Em clamor pela paz, paz verdadeira
Em oração sincera, a libertação
da sombra com asas, fera traiçoeira
que turva e fere o meu coração.

Ah, quero ser ouvida, enfim ilesa,
Liberta. dessa voz que a murmurar
mantém no pensar, uma vela acesa
que queima e insiste a me torturar!

Márcia Aparecida Mancebo
03/06/25

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O Olhar que me Abriga

O Olhar que me Abriga

 

A ternura que emana do teu olhar
traz acalanto aos meus dias sombrios,
dá fim às dores do meu caminhar,
encobre as névoas dos meus dias frios.

É no teu olhar que está o motivo
da lágrima ficar presa em meu peito
e de me manter, todo tempo, cativo,
fazendo-me assim terna — deste jeito!

É nesta ternura que encontro abrigo,
vejo minha estrada toda colorida.
Este teu olhar caminha comigo,
dando rumo aos meus passos pela vida.

Este teu olhar que, na cor, oscila:
ora azul-escuro, ora verde-mar...
Quando me olha, todo meu ser cintila
sinto-me uma estrela no céu a brilhar.

 

Márcia Aparecida Mancebo

(Itapeva,SP)

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Lágrima e chuva

Lágrima e chuva.

A lágrima é o arauto da emoção,
qual a chuva com pingos glaciais,
que apaga a imagem da imensidão,
transformando em alegria meus ais.

E a face rubra que no ser impera
desmorona tão rápido, sem cor;
como a chuva precisa na primavera:
Regando a terra para brotar flor.

A lágrima ao chegar é porque a alma.
Se comove com tudo que acha belo,
como a garoa que cai lenta e calma.
Fazendo a paisagem lembrar o anelo.

E essa aspiração que minha alma sente;
que traz suor ao corpo com saudade,
lágrima e chuva, caídas assim, quente,
me faz lembrar a minha mocidade.

Márcia Aparecida Mancebo
30/06/25.

 

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Caminhada eterna

T e m a:

"Pois a vida agora era
Um eterno caminhar."

(JC BRIDON in Sonhos de poeta )

 

Caminhada eterna

Quando me vi diante da tristeza;
Entendi o que a vida me ensinava.
Por tempo, caminhei sem ver beleza
Nas coisas simples que o viver mostrava.

Peguei meu cajado e segui a estrada.
Com passos lentos, num eterno trilhar…
Vi luas passarem pela madrugada,
Estrelas luzindo — ah, vi seu brilhar!

No caminho, lembrei: a vida é breve.
Um minuto perdido, não se recupera.
Quando senti o toque da brisa leve,
Voltar no tempo, desejei… ah, quem dera!

Agora é avançar à caminhada eterna.
Louvando e contemplando o que a vida dá.
Nesse trajeto aprendi a ser terna,
Por mais uma chance de recomeçar.

Márcia Aparecida Mancebo
22/06/25

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Cada Verso é um Gesto

13672939068?profile=RESIZE_400xCada Verso é um Gesto.

 

Eu quis falar, mas me calei primeiro.
Guardei em minha alma o som suspenso.
Teu nome ecoa em mim, sutil e inteiro.
E cada gesto é verso que eu não penso.

O tempo não me leva nem me traz.
Sou eu que avanço a cada passo dado.
O amor que sinto o tempo não desfaz.
O amor existe em mim, vem do passado.

Silenciei, talvez alguns momentos.
Pensei na plenitude que há no amor;
O amor a mim traz um deslumbramento.
E envolve-me com um véu de ardor.

Calar me trouxe paz para a travessia.
É neste querer que encontro acalento;
E quando a saudade veste poesia,
O verso é reflexo do sentimento.

Márcia Aparecida Mancebo
01/08/25

 

 

Itapeva, SP 

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Um brinde a tua volta

Um brinde à tua volta.

Voltaste pra sanar a solidão
dos dias tristes sem o teu carinho.
A flor de outrora abrolhou a paixão
que pendia sem vida, em meu caminho!

Ouço outra vez trinar o passarinho
que perdera a voz no último verão
e, trancou-se infeliz dentro do ninho
sem nunca mais cantar uma canção!

Voltaste e eu dou-te logo este poema
humilde a repetir o mesmo tema
do fundo da minha alma envelhecida.

Hoje, anseio brindar a tua volta
com alegria e sem qualquer revolta;
Pois voltaste, amor, para minha vida!

Márcia Aparecida Mancebo

 

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Inaceitável Ausência

Viver sem Você?

Não é impossível, é inaceitável.
A teu lado, o amor só tende a crescer.
E eu sinto a vida com perfume agradável.
És a luz que ilumina todo o viver.

Sou sonho, sou brisa que passa silente.
Teus passos conduzo com tanta ternura
Que às vezes não sei, se sou astro, ou se sou, gente.
Mas sei que ao teu lado só sinto doçura.

Te fiz renascer, isto não é segredo.
Seu mundo era sombra ou um labirinto.
São coisas indistintas, dizer tenho medo.
Apenas sussurro tudo o que sinto!

Contigo aprendi a viver o concreto.
Estar sozinha na noite é melancolia.
É um eco órfão de solidão, repleto;
A tua ausência enche-me de agonia.

Márcia Aparecida Mancebo

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Regresso

Regresso.

Voltei para onde tive que deixar.
E vislumbro com a beleza que vejo;
Uma tela perfeita, singular;
que chega a aguçar todo meu desejo.

Enquanto estive longe, senti falta:
Do meu ninho quentinho e da paisagem.
Tive que partir, qual um astronauta;
Que vaga pelo espaço, sem imagem.

Na ilusão de que além está o que almeja.
Mas a saudade de casa é imensa.
A alma não aguenta, um minuto que seja.
E, de tanto suspirar, fica tensa.

Com a alma tensa, volto pra casa.
Regresso pra onde ainda existe cor.
Onde sinto meu corpo arder em brasa;
Para o ninho onde me espera o meu amor!

Márcia Aparecida Mancebo.

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Abrigo em Ti

Traída pela vida, o meu destino
é seguir, sem ter rumo definido.
No peito, coração inda menino
pulsa forte, não se dá por vencido.

Reluta contra a sina lhe outorgada,
procura, no viver, algum motivo.
Entende o quanto almejo ser amada,
conhece muito bem por quem eu vivo.

Embora com destino já traçado,
perdida entre a razão e o rumo incerto,
não deixo me abater neste meu fado
e busco o que, a mim, está tão perto.

Quero fazer do teu amor o meu abrigo,
sei que serei, em ti, doce morada.
Tua vida é trilhar sempre comigo,
minha alma por ti é apaixonada.

Márcia Aparecida Mancebo

 

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Lacunas Que o Tempo não Apaga

Lacunas Que o Tempo Não Apaga

Há luzes que renascem na saudade,
e iluminam o caminho a percorrer,
incutindo na mente que a verdade
se faz presente sempre ao anoitecer.

Que a saudade, ao chegar, é dolorida,
traz aos olhos as lágrimas de outrora,
tudo que vivemos de bom na vida,
desde o amanhecer ao romper a aurora!

Luzes com poder, com brilho de ardor,
com lacunas a serem preenchidas
daquele tempo belo em esplendor,
que a saudade traz — mas incompreendida.

No íntimo há um traço de protesto:
qual lacuna devo preencher agora,
se na mente ainda existe teu gesto
dizendo-me adeus quando foste embora?

Márcia Aparecida Mancebo

"Há presenças que vivem na ausência, qual luz que brilha no escuro.

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Fervor nos dias frios ( Rondel)

Fervor nos dias frios

No inverno, tua companhia, amor.
É o cobertor para os meus dias frios.
Tua quentura me encobre de ardor;
Não vejo esta estação com tom sombrio.

Com teu calor, sinto no corpo arrepios.
Teu abraço tem aroma e sabor.
No inverno, tua companhia, amor.
É o cobertor para os meus dias frios.

Ao teu lado, meu viver tem mais cor.
Sozinha, o meu coração é vazio.
Tua quentura me enche de fervor.
Quando não vens tua imagem, fantasio:
No inverno, tua companhia, amor!

Márcia Aparecida Mancebo
11/07/25

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