A Beleza que é Verdade

 

 

Se o teu nome fosse fruta, eu diria: pêssego maduro,

polpa que se entrega antes mesmo do meu toque.

E eu, colhedor tardio, aprendendo a devagar,

descubro que a pressa é a única fome que erra o alvo.

 

Há uma luz de outono presa no teu ombro

quando dormes de lado, virada para a janela.

Não é sol.

É o resto do sol, o que ele esquece quando vai embora.

E é esse resto que eu quero guardar.

 

Sei que tudo isso vai passar.

A pétala escurece.

A taça esfria.

O verão vira lembrança de verão.

 

Mas há uma verdade que só o efêmero ensina:

a beleza não precisa durar

para ser inteira.

 

Deixa-me, então, ser breve contigo.

Não por pressa.

Mas porque aprendi, com os poetas do fogo pálido,

que o instante perfeito não pede eternidade.

 

Pede apenas

que alguém, comovido,

o tenha visto.

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Kleber Luis Antônio Pinheiro
Poeta e educador social.
Atuo com educação social e escrita, desenvolvendo projetos e textos que aproximam arte, escuta e transformação comunitária.

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Comentários

  •  

    Sempre intenso nos seus poemas! Parabéns poeta  Kleber!

  • Um luxo seu texto, Kleber! Parabéns.

    DESTACADO 

  • Uauuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu, que lindeza!!!!

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CPP