Se o teu nome fosse fruta, eu diria: pêssego maduro,
polpa que se entrega antes mesmo do meu toque.
E eu, colhedor tardio, aprendendo a devagar,
descubro que a pressa é a única fome que erra o alvo.
Há uma luz de outono presa no teu ombro
quando dormes de lado, virada para a janela.
Não é sol.
É o resto do sol, o que ele esquece quando vai embora.
E é esse resto que eu quero guardar.
Sei que tudo isso vai passar.
A pétala escurece.
A taça esfria.
O verão vira lembrança de verão.
Mas há uma verdade que só o efêmero ensina:
a beleza não precisa durar
para ser inteira.
Deixa-me, então, ser breve contigo.
Não por pressa.
Mas porque aprendi, com os poetas do fogo pálido,
que o instante perfeito não pede eternidade.
Pede apenas
que alguém, comovido,
o tenha visto.
Comentários
Sempre intenso nos seus poemas! Parabéns poeta Kleber!
Um luxo seu texto, Kleber! Parabéns.
DESTACADO
Uauuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu, que lindeza!!!!