A BRISA
Quero falar com a brisa,
mas ela não está soprando.
Fiquei à janela,
esperando seu sussurro.
E nada.
As folhas da laranjeira,
sempre tão tagarelas,
conversam até com o vento
e com os pingos da chuvarada.
Mas naquela noite,
em que o calor apertava,
sem a brisa,
também se calaram.
Então veio o tufão.
Chegou de repente,
batendo portas,
revirando folhas,
querendo falar comigo.
Disse muitas palavras,
mas meu ouvido
esperava outra voz.
As nuvens,
lá do alto,
começaram a trovejar.
Disseram
palavras ásperas,
dessas que fazem barulho
e machucam.
Eu continuei à janela.
Assoprei conversa com a laranjeira,
e ela permaneceu quieta.
Até que, lá pelas tantas,
veio uma lágrima.
Foi quando a brisa
saiu do esconderijo.
Não fez barulho.
Não disse nada.
Apenas tocou a laranjeira.
E as folhas começaram a dançar,
primeiro devagar,
depois todas de uma vez,
sacudindo o silêncio
que havia entre elas.
Fiquei olhando.
Então a brisa veio até mim,
roçou devagar meu rosto
e levou consigo
aquela lágrima.
MHermes
Comentários
Mauricio
lindo versar
um abraço
Graciosa Poética. Parabens. Boa noite
Aplausos poeta Mauricio! Adorei o seu poema!
Prezado Poeta Maurício Hermes.
Vossa Poesia transforma a brisa em afetividade quase humana, capaz de ouvir e consolar
O contraste entre brisa, tufão e trovoada representa diferentes intensidades das emoções humanas.
A laranjeira personificada participa do silêncio e depois recupera sua dança, acompanhando a mudança interior do eu lírico.
A lágrima é o ponto de encontro entre tristeza, natureza e acolhimento.
No desfecho, a suavidade vence o ruído.
Destaque:
“roçou devagar meu rosto / e levou consigo / aquela lágrima.”
É uma imagem simples e muito sensível. A brisa deixa de ser apenas fenômeno da natureza e se converte metaforicamente em carinho silencioso,
“ a mão invisível que enxuga a tristeza sem perguntar sua origem.”
Nossos abraços fraternos prezado Poeta Maurício Hermes por lindo texto Poético..
Uau! Saudações das Sagas! Que profundo, e ao mesmo tempo belo, como também as adversidades até dos tempos, que estão bagunçados no clima. Mas ficou assim muito interessante a forma que ti conduziu seja na sua experiência de vida e na poesia. Eu já observei o vento fazer as folhas das árvores dançarem antes e junto a chuva, essas coisas são algo bom e vale sim apreciar e outros momentos as fúrias da natureza, os trovões em fim.