Existe, no âmbito da doutrina espírita, uma corrente de pensamento que sustenta a ideia de que as almas teriam sido criadas em pares — as chamadas “almas gêmeas”. Essa concepção encontra eco em obras como Há 2.000 Anos, atribuída ao espírito Emmanuel e psicografada por Chico Xavier, na qual o tema é abordado sob o pano de fundo da Roma antiga.
Por outro lado, há quem veja essa interpretação com ressalvas, argumentando que a ideia de pares predestinados poderia sugerir uma forma de exclusividade afetiva, em aparente contraste com o princípio espírita mais amplo do amor universal — aquele que deve ser cultivado indistintamente entre todos os seres.
Diante dessas perspectivas, surge uma reflexão instigante: seriam os laços profundos entre espíritos uma expressão de afinidade construída ao longo do tempo, ou indício de uma origem comum e indivisível? E mais: até que ponto a busca por um “outro” específico enriquece — ou limita — a vivência do amor em sua dimensão mais universal? Este soneto fala disso.
O que você pensa sobre isso?
A BUSCA ETERNA
Nas brumas do Princípio, eu te buscava,
Qual lucerna a brilhar no pensamento;
Antes do mundo, em vago sentimento,
Minha alma a tua ideia já moldava.
No fluxo do ir e vir que nos formava,
Foste a essência viva do alento;
E em toda forma vã de meu lamento
Meu ser contigo sempre se encontrava.
Se o tempo é só o véu que existe aqui,
E esta vida é só um falso avatar,
À esperança entrego a minha cura,
Pois há mil existências te perdi,
E, desde então, te busco em terra e mar,
Vivendo os meus milênios de procura!
Nelson de Medeiros,
27/07/2026
Comentários
Prezado Poeta Nelson Medeiros...Uma belíssima publicação...Aqui escrevo minha simplória e resumida apreciação.
"Almas Gêmeas" teriam sido criadas em duplas, com forte ligação entre a duas almas, desde a origem, e os reencontros ao longo das existências.
Quanto a outra vertente, hipótese, do Amor universal, afinidade de vivências conjuntas, não existem pares desde a criação.
Tenho dúvidas, e bem, creio, a princípio nas duas vertentes, hipóteses, de que as afinidades são reais , e existem sem limitar o Amor eterno e universal.
O vosso Belo Soneto, tem muita sensibilidade espiritual na busca, que atravessa o tempo e é profundo, de reflexão proveitosa, acerca das afinidades entre almas.
Parabéns por bela publicação.
ADomingos Abraços fraternos..