A Escuridão
A escuridão recolhe os astros sem alarde,
E veste o pensamento com mantos de carvão;
As horas bebem o silêncio da tarde,
Nos corredores ocultos da contemplação.
O espelho desaprendeu o rosto que refletia,
E a lua assinou um tratado com o abismo;
As sombras alfabetizam a melancolia,
Enquanto o infinito soletra o surrealismo.
Há noites em que o vazio acende catedrais,
Onde os relógios enterram os próprios ponteiros;
Os planetas renunciam aos antigos cais,
E navegam por oceanos sem marinheiros.
Mas até a treva, soberana e absoluta,
Guarda no ventre uma centelha por nascer;
Pois toda escuridão, quando a alma a escuta,
É apenas outra forma de a luz se esconder.
Fim
A Domingos
Junho de 2026
Comentários
Lindos versos, Antonio!
Aplaudo !
Antonio
tem tempo que surge a escuridão
mas logo a luz surge e tudo volta ao normal
um versar reflexivo
um abraço
Abraços fraternos prezado Poeta Davi..
Muito obrigado por sua atenção e apreciação..
Uma honra para mim
Muito belo seu poema, Antônio! Parabéns.
Também destaco
Abraços
Uma honra ter seu Destaque..Sempre um incentivo para nós..
Muito obrigado amiga Poetisa Marcia
Existe um ditado: "A luz só é percebida porque existe as trevas.". Melhor dizer escuridão, porque há via tanto em luz quanto no escuro.
Adorei o poema, A. Domingos, filosófico, profundo...
Muito obrigado por gentil e generoso comentário Margarida..
Um honra este Destaque..
Uma Poesia com emoções
Abraços fraternos sempre