A Medida do Que Sinto
Há amores pequenos, do tamanho de um dia, e há o meu, que não cabe em calendário nenhum, transborda como rio que a estação esqueceu de conter.
Te amo como se amasse não uma mulher, mas uma era inteira, como se em ti coubessem todas as manhãs que ainda vou viver e todas as que já vivi sem saber que esperava por ti.
Não é pequeno o que sinto: é vasto como praça em dia de festa, é alto como catedral erguida por mãos que não temiam o tempo, é fundo como o mar que carrega naufrágios e ainda assim continua azul.
Quando penso em perder-te, o mundo inteiro se estreita, as ruas encolhem, o céu perde altura, e eu, que me julgava grande, descubro que só era grande por tua causa.
Amar-te é minha forma de acreditar em algo maior que a morte, é a única religião que não exige provas, só exige que eu continue, todos os dias, escolhendo-te de novo.
Se um dia me perguntarem o tamanho do que senti, direi que não coube em palavras, não coube em versos, coube apenas em uma vida inteira dedicada a tentar dizer o que sinto, e ainda assim, terei dito pouco.
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