A cada novo dia o mundo perde a cor,
um lento desgastar a cada alvorada,
ser apunhalado e não sentir nada
quando um triste adeus se torna indolor,
mas ainda purulento e espesso.
Estou só nesta noite feia e escura;
no cheiro da terra molhada me teço,
implorando por um pouco de ternura
como uma criança embalada em berço
à beira de um incinerador.
Desamparado, condeno a luz;
escorre-me pela boca um gosto sádico.
Quem me escuta jamais me traduz
quando me deito para o sonho
de um sonhar traumático.
Ao amanhecer, a luz é moradia
na exatidão de uma face marcada;
o sangue encharca a terra vermelha.
É urgente destruir ao fio da espada
o ferrão nervoso da abelha.
Alexandre
Comentários
Há um encanto em teus versos que prende os olhos à leitura. Parabéns, Alexandre. Abraços