Abandono

Oh, marulhar deste mar de tantos sonhos,
ninguém pode sentir aquilo que tu sentes,
a dor dos longos caminhos do abandono
e deste grande amor que ainda se faz presente.

Oh, este amor tão transitivo e tão raro,
foi ave de um verão curto e passageiro;
não se entregou a ti por inteiro
e, no outono, partiu — deixando-te no desespero.

Oh, quão frio e aterrador é este sombrio inverno,
este amor moderno que, para ti, é eterno;
tua pobre alma se arrasta na loucura
e na insensatez de amar em plena desventura.

É chegada à hora de dividir o indivisível,
de reinventar este triste coração partido
por este amor perdido — cinza, mas que já foi chama —,
que desfigurou tua alma nesta emoção.

Do abandono que sobre ti a dor se derrama,
restos de um amor que foi apenas ilusão:
o risco que se corre quando se ama,
quando se entrega, para sempre, o coração.

Alexandre Montalvan

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Alexandre

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