ALÉM DO PERECER
Nas trilhas do tempo vou sozinho,
Levando em mim ausências e partidas;
Revejo, entre as sombras consumidas,
A luz sutil do meu antigo ninho!
Busco, embalde, nas curvas do caminho
O rastro bom das horas já perdidas;
Se as dores são no tempo dissolvidas,
Por que persiste o mal em desalinho?
Não temo o pó, nem temo o mundo breve,
Pois quem na estrada a própria dor escreve
Transforma o nada em luz de amanhecer!
Se o existir é vão e se consome,
O amor — só ele — grava o nosso nome
No eterno lume além do perecer!
Nelson de Medeiros
03/2026
Comentários
Uma grandiosa inspiração! Adorei o seu poema! Parabéns!