Na mesa de canto do bar da esquina, o tempo deitou para nos ver passar.
Seu riso, como lâmina fina, cortava a pressa no ar.
Lá fora, a cidade ardia em buzinas e solidão.
Mas dentro da nossa alegria cabia o mundo na palma da mão.
Se a vida é um samba torto que insiste em nos desencontrar.
Você é meu cais, meu porto onde eu reaprendo a cantar.
Amizade é amor sem dono, é fogo brando, é claridão. Não pede nome, não faz trono, mas reina no coração.
É quase beijo na madrugada, quase desejo, mas não é não.
É liberdade acompanhada, é mesa de bar, é canto, é canção.
Você conhece meus labirintos, meus avessos, meu desatino, e mesmo assim me oferece abrigo, como quem oferece destino.
Entre garrafas vazias e sonhos, e versos rabiscados no chão, a gente faz do abandono um gesto de emoção.
Se um dia a maré nos levar para margens que não são iguais, então que reste o jeito de olhar.
E que ele diga mais do que quer dizer nossa voz.
Porque o que é puro não cansa
Não dobra, não pede perdão
Vira silêncio que dança
Dentro da mesma canção
Amizade é esse amor sem fronteira, que beija o tempo e fica. É primavera na quarta-feira. É verdade que não se explica
Se o mundo inteiro se perde na própria contradição.
Você é verso que me devolve o sentido de canção.
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