Amor Não se Implora
Há quem implore por amor,
Como mendigo à porta do previsto instante
Há quem peça, de mãos vazias,
O que jamais pode ser pedido.
O amor não se perde e assim
Perde-se a consciência de sua liberdade.
Quem suplica não compreende
Que amar é um sopro: não se pode prender..
O amor não é mercadoria,
Não se pesa, não se negocia;
Como disse Erich Fromm:
“Amar é um ato de dar, não de receber.”
Tenha a paciência do tempo,
E a serenidade de um pensador:
O amor nasce do natural,
Como fonte viva e constante como a eternidade da flor..
Brota do solo invisível da alma,
No silêncio fecundo do ser;
Não vem por força ou exigência,
Vem quando deve no tempo florescer.
Não é por acaso que o pedinte
traz nos olhos certa negação
rejeição íntima, escondida,
que se revela na expressão
na amostra de um triste rosto
Num gesto solto, numa palavra,
Pode ferir sem perceber;
Por isso, antes de pedir amor,
É preciso primeiro ser.
O amor acontece leve,
Quando menos se espera;
A alma a dançar um bolero
E o coração que se opera
Penetra a pele do sentir,
Vibra na seiva da emoção,
E acende, rubro e confiante,
A chama viva do coração.
E quando firme se instala,
Traz um doce estremecer:
Ânsia boa, surpresa mansa,
Um modo novo de viver.
Amor é dádiva e caminho,
É essência, é criação
Não se implora, não se exige:
Amor é livre… ou não é amor.
Abraços fraternos,
A. Domingos
24 de março de 2026
Comentários
Bom dia, meu amigo e poeta Antonio. Lindo pensamento transformado em poesia. 1 ab
Muito obrigado por sua atenção e apreciação..Uma honra para mim prezado Poeta Nelson Medeiros