Confusa ou confusão
em versos que são feitos,
descaminhos e amores defeitos,
histórias de sonhos que são
nada menos que efêmeros versos de vida e paixão,
são somente pedaços de um todo
que se confundem de repente com o novo,
mas são infindavelmente perpétuos,
pois nasceram com o universo.
Por isso, confuso é o verso
que me dá a estranheza
e demonstra o quão áspero
é o que nasce do espanto.
Quando olhos veem coisas engraçadas
e as olham assombrados,
ao nascer da alvorada em um céu sem sol.
No entanto, o espanto
são as flores
que florescem na madrugada.
Se elas morrerem na escuridão que finda,
não morrerão totalmente,
pois lançarão suas sementes
em um mar de lama
que é um quase nada,
mas que, por puro espanto,
voltarão confusas a nascer
na próxima madrugada.
Alexandre Montalvan
Comentários
Muito bonito, Alexandre.
Lembrei das "Damas da Noite" que, na época do meu pai, nos acordava com seu perfume.