Recebi do mundo um convite
de criar as cores da aurora.
Nasce o sol como uma dinamite,
que explode em luzes sonoras.
Quando o vento assopra a praga
e provêm estes surdos lamentos;
quando o sangue escorre da adaga,
que, escondido em tal sentimento,
na carne floresce a chaga.
Nos espasmos do meu mundo escuro,
colori-los será o meu intento.
Rogo a Deus, sob a forma de prece,
que o caçador se transforme em caça;
louco o mundo, como se ele soubesse
que toda a graça é simples fumaça.
Estou perdido nesta insanidade,
que talvez soe como uma poesia;
não consigo parar um segundo
toda a doença da m’alma doentia,
que me leva para baixo, para o fundo.
Porém, hoje é tão pouco o que sei;
mas só sei que esta dor nunca morre.
O mundo todo parece ausente,
não tenho como aliviar este porre.
Meus caminhos eu seguirei sozinho,
iluminado pelo sol e o seu brilho,
muito embora eu não veja a hora
de apodrecer no calor do meu ninho.
Alexandre Montalvan
Comentários