Busquei-te, imagem perfeita
de ossos e de carne,
no azul do infinito,
em todas as tardes,
de norte a sul.
Busquei-te nas dunas,
nas altas mangueiras,
nos quartos, nas camas
e nas cabeceiras,
embaixo da pia
e, via também atrás do sofá.
Busquei-te nos jogos de luzes
dos bailes de outrora,
nos rios, nas montanhas,
no romper da aurora.
Busquei-te, imagem
de santa e esperança.
Pensei-te criança,
brincando no parque,
no segundo andar
da roda gigante;
subi no mirante
para tentar te encontrar.
Busquei-te na loucura da paixão,
fantasista e cego —
bem sei, eu não nego.
Busquei a perfeição.
Busquei-te, perfeita senhora,
nos becos lá fora;
mas agora eu sei
que te busquei...
em vão.
Alexandre Montalvan
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