CECÍLIA
Por entre nossas pesadas pedras,
Sua sombra humana passeou
E seu claro olhar caído seguiu,
Na dureza dos restos que deixamos,
As marcas dos desacertos humanos
Que ela pensou com tênue tristeza
E bálsamo de etéreas palavras.
Aqui os passos e também as mãos
Encheram-se de força tão bruta,
Que se conseguiu macerar uma flor
– Uma flor, acreditem, tão frágil!
Ali se envenenou a voz com tanto ódio,
Que sua nascente de luz nos olhos
Virou vazante de ira no olhar
E foi possível turvar as águas da fonte
– Da fonte, acreditem, tão clara!
Além se destronou ruidosa alegria
Com o escuro do sobrecenho cerrado
Que até as folhas vieram ao chão
– as folhas, acreditem, tão aéreas!
Sua sombra humana liberta
Desde sempre das algemas do tempo
Lamentou os ferros da nossa prisão
Na mais densa e efêmera condição:
Não seguirmos curso de estrelas,
Que buscam mais alta cadência no breu
Para iluminar um chão que nem é seu.
(E. Rofatto)
Comentários
Edvaldo
um versar sob medida
um olhar poético certeiro
um abraço
Uauuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu, que lindeza de versos, Edvaldo!
Meus aplausos e meu abraço