Cecília

CECÍLIA

Por entre nossas pesadas pedras,
Sua sombra humana passeou
E seu claro olhar caído seguiu,
Na dureza dos restos que deixamos,
As marcas dos desacertos humanos
Que ela pensou com tênue tristeza
E bálsamo de etéreas palavras.

Aqui os passos e também as mãos 
Encheram-se de força tão bruta, 
Que se conseguiu macerar uma flor 
– Uma flor, acreditem, tão frágil! 
Ali se envenenou a voz com tanto ódio, 
Que sua nascente de luz nos olhos 
Virou vazante de ira no olhar 
E foi possível turvar as águas da fonte 
– Da fonte, acreditem, tão clara! 
Além se destronou ruidosa alegria 
Com o escuro do sobrecenho cerrado
Que até as folhas vieram ao chão 
– as folhas, acreditem, tão aéreas! 

Sua sombra humana liberta
Desde sempre das algemas do tempo
Lamentou os ferros da nossa prisão
Na mais densa e efêmera condição:
Não seguirmos curso de estrelas,
Que buscam mais alta cadência no breu
Para iluminar um chão que nem é seu.

(E. Rofatto)

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música: Johann Sebastian BACH/MARCELLO: Adagio, BWV 974

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E. Rofatto

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Comentários

  • Edvaldo

    um versar sob medida

    um olhar poético certeiro

    um abraço

  • Uauuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu, que lindeza de versos, Edvaldo!

    Meus aplausos e meu abraço

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