O mundo flutua ao meu redor
como bolha de sabão translúcida;
nela presa, vejo uma gota de suor
que escorre pela minha face,
ali contida.
E desta sensação surge meu horror,
uma fome de destruição voraz,
e buscar a feliz essência da dor
na estrada que nunca você andarás.
E quando ouvidos falam e a boca escuta,
é a incontinência das bolas trocadas;
quando a vida somente atrai cagadas,
você se torna um grande filho da puta.
Mas nada deste mundo me imputa;
corro a esmo em um belo prado florido.
Por isso mesmo todos me chamam de biruta,
mas no mundo eu só me fodo mesmo: é comigo.
Alexandre Montalvan
Comentários