Por este chão que ando,
imaginando ondas, fito sonhos entre as sombras,
ouço a intriga e o lamento
de um vento de outono
que revela um lindo firmamento.
Puro azul que finda em ranhuras das espumas,
finos laços de algodão em plumas,
olhos rasos com a paz de um renascer;
e quando o sol afunda
num abismo de brumas,
o tempo é uma centelha
deste jeito próprio de viver.
Oh, Tempo! Que, de tão concreto… é abstrato.
Flor de fim de outono em um jardim de jasmins,
que é o aroma que eu aspiro
em meio a suspiros densos.
Caminho neste relvado vespertino,
abrandado pelas sombras do equinócio
e nuvens brancas e imaculadas do meu destino.
Sabes que sou falso cativo deste tempo real,
junto a corações de vidro
que transbordam de poemas;
porém vislumbro-te na esteira destes sonhos
de dimensão mediúnica,
e em meu coração dividido
você será sempre a primeira e a única…
Alexandre Montalvan
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