Na decadência dos meus passos,
toco leve tua face macia;
mas, meu amor, meu eterno descompasso
leva-me aonde eu não queria.
Esvaziei minha essência em restos e vazios;
minha existência inautêntica e falha
não me fez por inteiro.
Assim como abundam chuvas no fim de janeiro,
levo comigo a covardia farta.
Sou animal que mastiga as próprias tripas,
transcendendo minha condição humana;
sou um nevoeiro que o vento dissipa,
sem que a razão interfira
em minha insensatez.
Não existe travessia segura
nos caminhos que o destino oferece;
tua face pode ser macia, mas é impura,
e ao teu lado não há benesse.
Vou queimar-me neste mar de fogo
para dissolver-me em suas chamas;
em meu peito, uma dor insuportável
prestes a explodir este eterno drama
de levar a vida como um falso ator.
Alexandre montalvan
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