Folhas de Ipê (José Carlos de Bom Sucesso – Academia Lavrense de Letras) @josecarloscontador
O escaldante sol queima tudo o que está à frente. Não respeita nada, nem mesmo a minúscula plantinha que sobe a camada dura do solo para sobreviver. Caso supere todos os obstáculos, ela será a verde planta, um pé de serralha, que por pouco tempo crescerá, ficará bonita, dará folhas bem verdes e soltará as flores, que servirão de enfeite para o atento fotógrafo registrando-as com as potentes lentes. Chegará um dia em que a cor verde se renderá ao amarelo, secando, assim, a maravilha e a beleza da planta.
Não muito distante, apenas alguns metros, a imensa árvore de ipê amarelo está toda florida. Suas flores são a verdadeira riqueza que a natureza ofertou para o ser humano. Quando se olha ao longe e nota a paisagem toda seca, o cérebro logo focaliza as flores amarelas, que mais se parecem com baldes de ouro vindos do céu e estacionados sobre os galhos da árvore.
Maritacas verdes enfeitam as flores amarelas, que mais se parecem com as cores da bandeira do Brasil. Também, lá, o casal de beija-flor voa desesperado por todos os cantos. Não deixa que as abelhas voam e pousam sobre as flores. Eles, os beija-flores, são os donos da imensa florada amarela. Moscas se atrevem na aproximação, mas são ligeiramente espantadas pelos esfomeados colibris, que recebem ajuda das maritacas fazendo muito alvoroço e sendo os gritos escutados por uma boa distância.
Assim, o inverno vai despedindo daquele ano. O rastro seco, o rastro de tristeza, o rastro do frio e o rastro do desespero do humilde lavrador estão indo embora. Está deixando para trás as manhãs frias, as manhãs onde tudo amanhecia triste, somente a nebulosidade e a névoa matinal cobriam as árvores e arbustos. O pasto seco e sem vida fornece o capim para o gado que ali pasta.
Desta forma, as folhas do ipê já estão no solo. São muitas. São dezenas de centenas. São até o que a mente humana consegue contar. Formigas saem da toca e caçam algo para o sustento da prole.
O intelectual lavador, de posse do carrinho de mão, a enxada, a pá e outros equipamentos junta as folhas e as deposita junto à sombra do coqueiro. Lá, usando algo cortante, vai amassando e quase as transforma em pó. Quanto já terminado o trabalho, adiciona água e deixa as folhas secarem por completo. Feliz, ele as mistura na terra e fará vários canteiros, onde alface, pimentão, couve e outras verduras serão plantadas e adubadas pelas lindas e fortes folhas de ipê.
Comentários
Parabéns Josè Carlos
Abraço
A natureza nos encanta e estamos sendo inspirados pelo grande apelo que esta detém nas floradas e nas estações. Parabens
Que maravilha de conto!
Parabéns José Carlos!
Um abraço
DESTACADO