Homem-Lesma
Eu ando com preguiça,
Pela cerração de quarta,
Rastejando até o trabalho.
O chão áspero, gelado,
Parece até mais agradável.
O ronco dos caminhões,
Tão estrondosos trovões,
Andetra muito mais suave
Na minha caixinha pensante
Do que os ruídos das vozes.
Um enxame mascarado,
Com seus risos e olhares
Que disfarçam seres algozes.
O tilintar de metais em choque,
O sopro do sistema pneumático,
Apitos de sirenes e alarmes,
Fazem minha orquestra diária,
A parte que não me esgota.
No chão, agora escaldante,
Rastejo de costas para casa.
O mar de vozes na cabeça,
Essas que entram e ficam,
Ecoam durante o percurso.
Elas se esvaem quando deito,
E o processo me esvai junto.
Eu ando com preguiça,
Pela cerração de quinta,
Rastejando até o trabalho.
O chão áspero, gelado,
Parece até mais agradável.
Cris de Marmelo
04/02/2026
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