Já é quase natal.

Já é Natal e eu nem sabia; para mim, o Natal é todo dia.
Aqui, onde vivo e moro, o silêncio é constante.
O único ruído que ouço é apenas o cantar dos pássaros.
Que vês ou outra, passam por aqui.
Quando muito, vou à cidade só para saber das novidades,
e dos meses que se passaram.
 
Já é Natal e eu nem sabia.
 
Mas para mim pouco importa.
 
Tudo que tenho é apenas um pedaço de pão que, mais tarde,
vou dividir com meu cão. Cão que tem fome, assim como eu.
Ele que é meu grande e único amigo.
 
Já lhe dei a felicidade, o levei para a cidade; Para viver com um senhor muito bom.
Com três dias passados, olhando meu seco arado de longe, avistei meu cão.
Coitado, não suportou a saudade; meu querido cão amado voltou para esse velho brigão.
Já é natal, dias de mesa farta; e para mim hoje tudo falta, só não falta solidão.
Ando de pés no chão, o barro é o meu colchão. Meu ego é a escuridão.
Não escolhi essa vida, fui criado na lida nos campos e plantações.
Não me levaram à escola; me deram uma inchada e uma viola, do estudo não tenho noção.
 
Cresci cuidando do gado, olhando meu pai no arado e minha mãe à beira de um fogão.
Meu irmão na varanda e minha irmã deitada em sua rede de onde nunca saia; coitados
brincavam e não sabiam que tudo um dia acabaria. A rede, o gado, o pasto e o arado,
tudo iria virar pó. Minha mãe em seu fogão de lenha e meu pai na ordenha.
Tudo diante de mim se transformou. Da noite para o dia, perdi minha mãezinha, meu pai
e meus irmãos que tanto amor eu tinha. Tudo isso acabou.
E agora só o que me restou são apenas recordações. Minha velha casa, a saudade e a solidão,
minha estrada e um pedaço de pão. Para nessa noite de natal eu dividir com meu cão.
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