Lanterna
Céu acinzentado, chuva fina;
pássaros não cantam, só voam
de um poste a outro, ali, na esquina;
um canto animador não entoam.
Fico imaginando um dia azul,
ouvindo o chilreio dos passarinhos,
sentindo a suave brisa do sul,
roçando a minha face, de mansinho.
Então, a manhã tristonha lá fora
ganha, para mim, beleza tão terna;
assim, não entristeço a alma agora
e vejo o dia com minha lanterna.
A lanterna que trago no olhar
acendo-a nas manhãs nebulosas;
assim, poderei sempre me encantar
e ver a vida bela e formosa!
Márcia Aparecida Mancebo
20 de setembro de 2026
“A vida e suas manhãs têm o colorido que lhes damos com o olhar. Mesmo sob um céu nublado, podemos acender em nós a luz que transforma o cinza em beleza.”
Comentários
Prezada Poetisa Marcia , parabéns por lindíssima Poesia Lanterna, um título de muitas nuances.
A poesia transforma uma manhã cinzenta em reflexão sobre a maneira de contemplar a existência.
A chuva, o céu acinzentado e o silêncio dos pássaros constroem inicialmente uma atmosfera melancólica.
A imaginação, porém, recupera o azul, a brisa e o canto dos passarinhos.
A lanterna torna-se a metáfora central: representa a luz interior capaz de modificar a percepção.
Assim, a poeta sugere que a esperança não elimina os dias difíceis, mas pode iluminá-los.
Destaque: “A lanterna que trago no olhar”
É o verso-chave do poema. A lanterna deixa de ser um objeto e passa a simbolizar a capacidade íntima de encontrar beleza mesmo quando a realidade se apresenta sombria.
Sobre o maravilhoso aforismo:
É um aforismo de esperança e de atitude diante da vida, coerente com a metáfora da lanterna que percorre o poema.
Nossos abraços fraternos amiga Poetisa Marcia por belíssima Poesia Tenha o meu Simplório Destaque.
Fernanda e Antonio Domingos