Martelo

Martelo

 

Martelo

 

Martelo me fez parafuso em vez de prego

Prendeu-me a parede   cabeça abaixo

Que fosse preso sobre a mesa...

Deitado na horizontal...

E daí, que diferença faz

Faz muita diferença um sinal

 

Preciso respirar por qualquer moeda

Em qualquer endereço

Não me importa apreço

Pode ser um ombro

Até cagada de pombo

 

Serve cadeira de balanço

Da vovó que me permita

Com benção e compleição

Dispenso a compaixão

Fico com a emoção

 

E a paixão

Combustível que atravessa paredes

Que queima mesas

Encontra a madeira

Extermina   papel

 

Encosto a cadeira

Estico as canelas

Roupas de lã

O véu

Tom estiloso

Os pés  ao puff

Reaprendo respirar

Fecham meus olhos

A nona sinfonia

Eterna sintonia

 

O torpor medita

Espaços ao tempo

Não ao senão

Tempo

Senhor da solução

 

FIM

Antonio Domingos

 rev 03JUL2020

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Comentários

  • Belo texto, Antônio!

    Um desfecho perfeito, parabéns!

    Um abraço

     

     

     

     

  • Bom dia poeta 

    Aí,meu Deus quanta responsabilidade comentar teu texto rsrs

    Agora eu trago para mim o primeiro verso 

    /Martelo me fez parafuso em vez de prego /

    Belo jogo de metáforas 

    Um texto criativo ,irreverente os versos possuem uma dinâmica incrível é como se as palavras nos convidassem aos movimentos de uma reflexão inquietante ...

    Tua referência a nona sinfonia nos permite compreender que teu texto nos convida a reflexão desta inquietude existencial em que vivemos e que a transformação só é possível com o tempo este grande regente que nos proporciona a habilidade para desenvolvermos nossas potencialidades e executarmos com excelência as notas que irão compor a nossa própria sinfonia 

     

    Grande abraço

    Perdão pelo atrevimento de tão longo comentário ,mas realmente AMEI teu texto 

    Paz e luz

    • Seus comentários são pertinentes e muito inteligentes.. Tem comentário seu que eu nem havia percebido....É vida, é reflexão, são coisas do cotidiano para os quais às vezes não damos importância.

      Dizem que a gente não deve comentar nossos poemas, que o que vale são as interpretações do leitor, seja elogios ou críticas, que para mim são benvindas.

      Martelo me fez parafuso em vez de prego >>>> Quando o martelo prega um prego, o prego entra perfurante na madeira, mas se for um patafuso este entra rosqueando. Se me fez parafuso me fez rosqueado na madeira.....Um jogo de metáfora.... Há uma falha no poema, que não é grave, já que um  parafuso é preso com uma chave de fenda....Mas, não vou corrigir por questões de licença poética..ahahah.Bom né...

      Muito obrigado Poetisa Ana Lúcia

      abraço de antonio

      /Mart/Martelo me fez parafuso em vez de prego /elo me/Martelo me fez parafuso em vez de prego / fez parafuso em vez de prego /

    • Boa noite

      Agradeço muito suas explanações poeta 

      Sempre uma grande alegria quando absorvemos algum aprendizado 

      Está Fênnix tornou-se sua fã.

      Grande abraço

      Paz e luz 

    • O quanto quem escreve gosta de ter seus escritos lidos.

      Sua leitura e comentário é valioso e mais a sua deferência por este poeta amador me deixa feliz

      Obrigado Ana Lúcia

  • Pois é, poeta. Bem retratado o tempo e a vida neste poema.

     

    1 ab

    • Obrigado caro Nelson.. Com certeza...Às vezes não nos importamos com as coisas simples do dia a dia, queremos coisas complexas.. Tempo e Vida...certamente

      Se comentário é valioso para mim.

      abraço de antonio

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