Tenho medo de morrer
medo do esquecer
e do não esquecer
tenho medo de não ver
o céu laranja ao entardecer
tenho medo de não ouvir
mais o som do sorrir
o cantar, o viver
tenho medo do escuro
do sujo, do úmido
do fenecer
tenho medo também de viver
e devagarinho desaparecer
sob das marcas do tempo
de mancar, de encolher
do fim do querer
a verdade é que
como toda primeira vez
tenho medo do ser.
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