Morada

Morada

O devaneio leva-me distante;
Ao relembrar as flores da estação,
Um novo sentido abate-me no instante,
Inundando o pensar com emoção.

Aquela primavera em mim floriu,
Exalando seu olor, fez-me sorrir;
Quando, nos lábios, o sorriso abriu,
Não consegui reter o meu sentir.

Foi uma primavera tão serena,
Que trouxe-me lembrança: teu gesto bonito.
Lembro: debaixo do pé de açucena,
Tuas carícias levaram-me ao infinito.

Agora, o devaneio é o que restou,
O destino mudou nossa direção,
Mas a estação bela continuou
E fez morada no meu coração.

Márcia Aparecida Mancebo
08/26
Itapeva, São Paul

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