Multidão
Tudo é uma grande ilusão
Sonhos, apenas lixo enfeitando os caminhos
Fecharam a torneira do amor
E as gotas caem…
É apenas solidão
O mundo é desértico e seco
Em mares de óleo escuro
Parques de crianças esquecidas
Mortas-vivas estendidas à sombra
De viadutos, esquinas e muros
Um Deus que não pune, nem olha,
Olhares finitos
Um mar de espectros esquecidos
À margem, sem carne, esquálidos e aflitos
Um cão que não morde, nem ladra
Em um mundo cão
Pisado, amassado, dobrado
Que não é redondo nem quadrado
É apenas um transitório perdido
Em meio à multidão
Alexandre Montalvan
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