SOTURNAL

As aves das florestas nebulosas,

Sobre ti, grasnando, pelos recantos,

Ó alma de entardeceres e de rosas 

Que ouviste dos pesares os teus prantos.

 

A mesma voz das horas langorosas,

Acompanhaste-lhe com os teus cantos,

E pelo céu, as brumas vagarosas,

Tão pálidas e mudas como santos.

 

Da minha vida, o livro, inda aberto,

Enfeitaste-lhe as névoas do destino 

Com pétalas de flores de um deserto...

 

Na escuridão sem brilho, sem um norte,

Ouvindo, plangeres, do tempo, o sino,

Que nos leva aos pórticos da morte.

 

Thiago Rodrigues 

 

 

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Comentários

  • Ave, poeta! Soneto simbolista de uma profundidade sensível, onde  o poeta descreve a dor que marca uma vida, sabendo que tudo vai levar, inevitavelmente à morte. Excelente, soneto, poeta. Parabéns. 1 ab

    • Agradeço pelas palavras aqui tecidas, nobre poeta. Um abraço!

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