Que incidência espúria!
O mar invade as ruas
por artérias venosas,
como bocas gulosas,
com suas línguas enormes:
é a graça que corrói.
E o mar invade as almas
corroídas pelas ideias,
são as palmas da plateia,
são ondas estrondosas,
como um buquê de rosas.
E o mar invade o corpo
como um violador
e o seca pelo sal.
Já não se lembra mais
que, entre o bem e o mal,
não haverá jamais
amor.
Alexandre Montalvan
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