O Que Ficou Do Vento

O Que Ficou Do Vento

 

 

O que ficou do vento

não tem nome nem morada.

Passou entre as crianças,

dobrou a última estrada.

 

Havia uma canção

que ninguém havia aprendido ,

soava como a água

antes de ter sido.

 

Eu procurei nos campos

a sombra que me seguia.

Era apenas a tarde

despindo-se do dia.

 

Não me perguntes quando.

O tempo não tem janelas.

Vivemos de passagem

entre estrelas e velas.

 

Há um jardim que some

cada vez que me aproximo.

Há um rosto que regresso

sem saber o que destino.

 

Tudo o que foi eterno

era feito de areia fina.

Tudo o que foi passagem

em mim ainda ressoa e caminha.

 

Fica, portanto, o vento

 não como vento, mas como ausência.

Fica o que nunca esteve:

a mais pura das presenças.

 

 

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Kleber Luis Antônio Pinheiro
Poeta e educador social.
Atuo com educação social e escrita, desenvolvendo projetos e textos que aproximam arte, escuta e transformação comunitária.

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Comentários

  • Que texto lindo. Maravilhoso. Que faz refletir.

    Apreciei muito. A se ler e reler várias vezes.

     

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