O que ficou do vento
não tem nome nem morada.
Passou entre as crianças,
dobrou a última estrada.
Havia uma canção
que ninguém havia aprendido ,
soava como a água
antes de ter sido.
Eu procurei nos campos
a sombra que me seguia.
Era apenas a tarde
despindo-se do dia.
Não me perguntes quando.
O tempo não tem janelas.
Vivemos de passagem
entre estrelas e velas.
Há um jardim que some
cada vez que me aproximo.
Há um rosto que regresso
sem saber o que destino.
Tudo o que foi eterno
era feito de areia fina.
Tudo o que foi passagem
em mim ainda ressoa e caminha.
Fica, portanto, o vento
não como vento, mas como ausência.
Fica o que nunca esteve:
a mais pura das presenças.
Comentários
Que texto lindo. Maravilhoso. Que faz refletir.
Apreciei muito. A se ler e reler várias vezes.