O Último Rastro do Sol
O sol despede-se da tarde
Deixando raios pelo chão,
Sufocando-me com saudade,
Esgarçando minha alma que arde,
Com lágrimas qual ribeirão.
Quem dera ter a liberdade,
Ter asas livres no clarão,
Voar, voar na imensidade,
Calmamente com humildade
Alcançar o céu com a mão.
Ó, que faço dessa vontade,
Que me consome em solidão,
Corrói a alma a realidade
E fere o peito em vaidade,
Ansiando por profusão.
Posso perder a identidade,
Se me perder nesta ilusão,
Jurar com fé toda a verdade,
Que foi grácil a mocidade
Ao voar pela vastidão.
O sol se pôr a dor me invade.
A tarde morre em negridão,
Se vai distante com bondade,
Sem sol, estrela e claridade,
Morre o sonho na escuridão.
Márcia Aparecida Mancebo
15/11/25
Comentários
Uauuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu, bem mereces Mácia
Lindooooooooooooooo
Beijosss
Obrigada, Ciducha. Bjs
Grandiosa inspiração! Parabéns!
Obrigada Editt. Bjs
Brabíssimo Márcia, teu poema é composto por belíssimas quintilhas, com métrica fluida e rimas predominantemente consonantes em esquema que parece ABABB ou variações próximas, evocando musicalidade e cadência clássica. Neste relicário lírico, minha querida amiga verte um cântico crepuscular, onde o sol poente é metáfora da mocidade esvaída e da ânsia transcendente. Adorei a tessitura imagética — “raios pelo chão”, “alma que arde”, “voar na imensidade” — revela um espírito em êxtase contemplativo, mas também em agonia existencial. A linguagem é rebuscada e melódica, com vocábulos como “negridão”, “profusão”, “vastidão”, que ampliam o campo semântico da melancolia sublime. Eu senti um dualismo entre o sonho e a realidade, entre o desejo de alçar voo e o peso da finitude, culminando num crepúsculo simbólico onde “morre o sonho na escuridão”. Saindo da minha humilde análise (me perdoe se errei muito, pois, estou sempre aprendendo), eu acabei de ler uma tremenda tapeçaria poética, sim, uma simplesmente bela composição, parabéns e um carinhoso abraço, se eu tivesse poderes eu DESTACARIA — ©JoaoCarreiraPoeta.
Nossa! Quantos detalhes! De fato teu comentário é um esmero.
Quintilha ou Quintina com versos octassilabos.
Obrigada, João. Um abraço
BELO!
PARABÉNS!
Obrigada, Edilon.
Um abraço