Olhos Luminosos

Há olhos luminosos nas ventanas do mundo,
abrem como rosas cândidas neste imenso jardim.
No chão de pedra, brindamos seu laço profundo,
com os brancos dos olhos postos sobre mim.

Diga-me: de qual lado disso eu fico sozinho,
nesta ponte de duas metades iguais?
Onde está o medo que me cerca — meu espinho —
ou o sorriso que, ao tocar-me, me desfaz?

Dentro deste absurdo mundano eu me encontro,
nesta ausência que consome m'humanidade.
Eu me desintegro e me reintegro, ponto a ponto,
entre sombras — nesta suja rua da cidade.

Certo de encontrar uma razão para viver,
traço em teus olhos o meu apoio.
Mas o oceano se fez arroio
quando caiu a máscara do meu eu em você.

Hoje estou assim — um oco caixão —
onde só me resta o corpo e não o espirito.
Nada importa.
Houve um calafrio, um grito —
como se você nunca tivesse tocado minha mão.

Aspiro a solidão nesta noite escura,
que dura a eternidade de um amor.
O sofisma deste sentimento é a minha ruína:
Deus — para que serve uma alma pura
se não a tenho comigo — e isto só aumenta minha dor

Já não sou aquilo que um dia fui.
O tempo me desnudou, lento,
como um furioso entre-rios que deflui
sob as insensatas multicores do firmamento.

Alexandre Montalvan

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Alexandre

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Comentários

  • Gestores

    Poeta Alexandre,

    Como pode no mesmo País ter escritores brilhantes, poetas ilustres e outros que falam ou escrevem não serve de alimento nem para o vaso sanitário.

    Eu sou feliz! Acabei de ler o seu poema.

  •  

    Como sempre nobre poeta Alexandre, o seu poema é lindo e profundo! Aplausos!

  • Nobre poeta Alexandre Montalvan

    Um reflexivo poemal, muito bem elaborado.

    "Já não sou aquilo que um dia fui.
    O tempo me desnudou, lento,
    como um furioso entre-rios que deflui
    sob as insensatas multicores do firmamento."

    Parabéns

    FELIZ 2026

  • Maravilha sua escrita, caro Alexandre. Votos de um Feliz Ano de 2026

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