Papo de carnaval
(José Carlos de Bom Sucesso – Contador e Escritor – ALL- @josecarloscontador
Seu Domingos, mais conhecido por “Duminguinho” era o sujeito bem popular na cidade. Com meia idade, sempre gostava de carnaval. Desde criança, conforme relataram familiares, ele amava a folia, a batucada, a bela fantasia que se vestia a cada ano e nunca repetia nenhuma alegoria. Ganhava a vida trabalhando ambulante na cidade. Ora limpava lotes e terrenos para famílias, ora fazia colheita de café, dirigia trator e ainda vendia legumes e frutas na feira.
Ano após ano, ele sempre estava na vida laboral. Não casou, porque certa vez disse que o casamento seria prejudicial para ele, porque gostava de ser livre, de ser do jeito que era e jamais queria manter laços com ninguém e o carnaval para ele era tudo.
Durante o ano, ele não bebia, nem mesmo passava perto de algum boteco. Nos finais de semana, o churrasco estava consagrado e convidava amigos para o banquete. Ele mesmo temperava e assava, mas a carne predileta era a de porco. Assim todo o ano.
Quando faltavam três dias para o carnaval, ele mesmo preparava a fantasia. Chapéu de palha novo, camisa nova, mas remendada por ele mesmo. Segundo falava, os remendos eram para que outras pessoas pensassem que ele estivesse com as economias baixas. Calça jeans, botas novas e bem limpas. Assim, a fantasia estava pronta e lá ia ele para a avenida. Ajudava a puxar carros alegóricos das escolas de samba, organizar filas e até mesmo se aventurou ser o puxador do samba enredo de algum ano.
Após as ajudas de praxes, ele entrava no primeiro bar que aparecesse e bebia a cachaça mistura ao vinho. Quando já se fartava e dava sinais de embriaguez, ele saia andando e cantando o pequeno verso que compôs há algum tempo: “Bebo a cachaça, mas não bebo o juízo”. Assim ia repetindo os mesmos versos até que o efeito da bebida passasse.
De ressaca, era o primeiro a chegar à padaria do João e lá pedia o café mais forte, acompanhado de pão com manteiga. Comia e ia para casa dormir e descansar para voltar à noite, fazendo a mesma coisa da noite anterior.
Falava, também, que havia presenciado a reunião de alguns anciões da cidade onde combinavam a noite de lobisomem e mula sem cabeça.
Comentários
Olá. Li e reli. Parabens pelo conto.