Neste pedaço de sonhos,
eu crio demônios;
crio amor e tristeza e, na rocha,
eu crio aspereza.
Também crio céus e estrelas;
no coração, a incerteza.
Eu crio a morte e a vida,
multiplico as histórias, o adeus, as partidas.
Eu sou como um monstro medonho:
eu crio, eu me exponho.
Eu mostro os meus intestinos,
tomados por fezes;
o sangue que corre nas veias,
o pão que m'alma anseia.
Eu mostro minhas faces na cara,
eu mostro minhas taras.
E, como não sei quem eu sou,
eu sou filho do amor
ou talvez deste medo;
e todo meu receio
é não saber quem sou.
Alexandre Montalvan
Comentários
Um reflexivo poema. Parabéns.
Caro poeta Alaxandre
Quando se chega num ponto em que não sabemos mais quem somos, a vida parece nem sentido tem.
Reflexivo poema.
Abraços