Procura-se a Lua Desesperadamente

 

Procura-se a lua desesperadamente.

Desapareceu ontem à noite
depois que teus olhos
pararam de me procurar.

Testemunhas disseram
que ela foi vista pela última vez
encostada no vidro do meu quarto,
ouvindo meu silêncio
como quem escuta
um animal ferido respirar.

Desde então,
as marés desaprenderam o caminho,
os poetas escrevem sem febre,
e os homens voltam cedo para casa
sem entender
por que o peito pesa mais
quando o céu está vazio.

Procura-se a lua.

A verdadeira ,
não essa moeda pálida
pendurada acima dos prédios,
mas aquela
que iluminava teu rosto
como se Deus tivesse deixado
uma janela aberta na noite.

Oferece-se recompensa
a quem encontrá-la:
meu último resto de calma,
meus livros sublinhados,
meu nome dito baixinho
antes do sono.

Há rumores
de que ela fugiu contigo.

Outros dizem
que morreu afogada
na enchente dos meus pensamentos.

Mas eu não acredito.

A lua conhece demais
os caminhos da saudade
para desaparecer assim.

Talvez esteja escondida
atrás da tua ausência,
esperando que eu aprenda
a sobreviver no escuro.

Enquanto isso,
continuo colocando cartazes
pelas ruas da madrugada:

“Procura-se a lua desesperadamente.”

Características:
redonda como promessa,
distante como o amor,
e perigosamente parecida
com você.

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Kleber Luis Antônio Pinheiro
Poeta e educador social.
Atuo com educação social e escrita, desenvolvendo projetos e textos que aproximam arte, escuta e transformação comunitária.

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