Nos reflexos dos meus olhos
eu só vejo você
na sinfonia absurda e barata, sigo,
sigo a esmo, mesmo sem entender
Nos trilhos do tempo
que passa — a vida é pura trapaça
eu sonho teus olhos nos meus
desejo teu corpo colado ao meu,
sendo pedra e também vidraça
Ouço um trem no silêncio da madrugada,
a minha alma cala e consente
as lágrimas molham o chão da sala
é o mal que a gente sente
É a solidão ordinária
porque agora, porque durante, porque sempre
vou na direção contrária
cão louco, raivoso, deixei de ser gente
Alexandre Montalvan
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