Rumores de primavera

Rumores de primavera (José Carlos de Bom Sucesso – Academia Lavrense de Letras) @josecarloscontador

 

                A brisa toca lentamente o rosto de Ritinha. É final do mês de agosto. Tudo seco: Pastos, gramas e vegetação. Pássaros cantam tristes nas abas das árvores mirradas pelo excessivo frio e a falta de chuva para o período. O casal de tico-tico ainda solfeja a linda e harmoniosa canção nos galhos da jabuticabeira, pois no caule, pequenas pintas, que anunciam as primeiras flores para a geração das lindas e saborosas jabuticabas.

                A menina olha para o horizonte e ainda vê parte negra meio azulada. É sinal de que a estação fria chega ao fim. Ao longe, há sinais de fumaça em forma de funil. É fácil deduzir que está havendo queimadas por falta de descuido ou indícios de crime contra a natureza.

                Olha para o firmamento da tarde e fixa nas pequenas nuvens que vão vagando a céu afora. São rápidas, são passageiras. São brancas e a cada momento elas formam figuras que a mente humana ainda consegue decifrar. A garotinha brinca com a inteligência e vai associando o embaciamento a formas de pássaros, cavalos, lobos e outros seres. É fantástico, diz ela com a voz forte e delicada.

                O forte grito da seriema lhe dispersa a atenção. Não muito longe, ela procura pelo som emitido pela ave. São duas ou três, pensa consigo mesma. Deve ser uma família que volta para o ninho, não sei.

                A rajada de vento é tão forte que eleva os cabelos ao alto. Ela, por si, procura ajeitá-los olhando para chão. Parece que a minúscula partícula de poeira pousa sobre o olho direito. É rápida a passagem. Em poucos segundos não mais há nada no olhinho verde da garotinha de dez anos.

                O desviar do olhar mira na árvore grande bem próxima a ela. Tudo seco ao redor, mas na planta, no mais alto galho, surgem algumas flores amarelas. Tão lindas que a natureza as criou para dar alegria e esperança a quem lhes observa. São muitas, são o ouro da vida, que suavizarão o período negro, de secura, a solidão e lugubridade. Então ela observa e diz: São as flores do ipê amarelo. É o prenúncio da primavera, a estação das flores, a estação dos pássaros que cantarão as lindas e belas canções. A alegria chegou na forma das lindas flores amarelas, que, por pouco tempo, durarão. Então, a chuva chegará para alegria, porque neste dia, são rumores da primavera.

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José Carlos de Bom Sucesso

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