O meu eu lírico é um eu profano
farta-se em me fazer chorar,
faz crer que eu é que engano,
que minha face não seja um mar.
Faz do sexo bacanal mundano,
coisa que a mim só trouxe azar;
embora o sexo seja coisa que amo,
o que ele diz não ouso falar.
O eu lírico é expressão sublime,
isto é um incontestável fato,
mas ser profano não é nenhum crime.
As frases profanas o recatado suprime,
são frases para ele sem nenhum tato,
como a de dizer que não existe hímen.
Alexandre Montalvan
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