Um Jogo de Xadrez

Sou aquilo que tu vês,
caos transformado em humano,
cheio de medos e desenganos,
um humano encharcado de talvez.

E, talvez, eu consiga um dia voltar,
voltar a sentir uma feliz inocência;
desengano e inocência farão um par,
minimizando a dor da tua ausência.

Não posso ter a ternura de estar,
pois perdi o amanhã e também o ontem,
e, sem tê-los, não posso te dar,
e não há no mundo quem os aponte.

Escrevo usando a minha insensatez,
mesmo que tente pressenti-la, eu me dano,
pois a vida é como um jogo de xadrez,
onde o pião tem o rei como seu tirano.

Alexandre Montalvan

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Alexandre

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