Zero Absoluto

 

Há um lugar onde o frio

não é ausência de calor,

mas silêncio levado

à sua última consequência.

 

Ali,

até a memória desaprende

o caminho de volta.

 

As pedras esquecem

que um dia foram montanhas.

Os rios deixam de sonhar

com a foz.

 

O vento passa

sem mover uma folha,

como quem respeita

o repouso das coisas

que já disseram tudo.

 

Procuro esse inverno

não para morrer,

mas para descobrir

o que permanece

quando o coração

abandona o excesso.

 

Talvez amar

seja isso:

 

reduzir o ruído da alma

até que reste

apenas o essencial.

 

E, no centro

desse frio impossível,

encontrar um pequeno clarão

que nenhuma geada alcança.

 

Porque o verdadeiro

zero absoluto

não congela a vida.

 

Congela apenas

tudo aquilo

que nunca foi amor.

Enviar-me um e-mail quando as pessoas deixarem os seus comentários –

Kleber Luis Antônio Pinheiro
Poeta e educador social.
Atuo com educação social e escrita, desenvolvendo projetos e textos que aproximam arte, escuta e transformação comunitária.

Para adicionar comentários, você deve ser membro de Casa dos Poetas e da Poesia.

Join Casa dos Poetas e da Poesia

Comentários

This reply was deleted.
CPP