Posts de FRANCISCO JOSÉ TÁVORA (79)

AMANTES

Ainda em minha mente

O perfeito encaixe dos corpos

Em completa união

Com movimentos ritmados

Cadenciados à exaustão

 

O suave roçar das peles

O partilhar das volúpias

Os espasmos e requebros

O multiplicar das carícias

A consumação das delícias

 

Os silêncios entrecortados

Por gemidos descontrolados

Revelando desejo, lascívia

De corpos tresloucados

Em esplendorosa harmonia

 

O enlace de pernas e braços

O sugar de bocas e lábios

O sorver dos humores que brotam

Na consumação dos orgasmos

A mitigar a sede dos corpos

 

O suor brilhante na pele

Os corpos exangues largados

A confiança no amor conquistado

As juras sem fim sussurradas

O prazer dos desejos gozados

F J TÁVORA

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EDITH

 

                     Faz parte da história, de todos bem conhecida, a saga dos nordestinos na conquista do Norte do país. Os cearenses, em especial, tiveram grande participação na ocupação da Amazônia. O povoamento ocorreu rotineiramente com fluxos regulares de migrantes ao longo do final do século dezenove e princípios  do século vinte. A migração era intensificada em períodos de seca aguda no Nordeste brasileiro. A família de meu pai, com origem em Jaguaribe, com fortes raízes telúricas, teve vários de seus membros envolvidos nesta epopeia.

                Monsenhor Fernandes Távora, padre culto, erudito, com doutorado em Teologia em Roma, figura de grande relevo na política cearense do século dezenove, terminou seus derradeiros anos de vida franciscanamente, como missionário subindo e descendo os cursos d´água tributários do grande rio, casando, batizando, confessando, enfim levando o conforto espiritual e religioso às populações ribeirinhas daquele imenso rincão, esquecido e abandonado, de nossa pátria. Meu avô paterno, ainda solteiro, serviu como  sacristão por um longo período ao lado do monsenhor, seu parente e tio de sua futura esposa, minha avó.

                 A principal atividade lá desenvolvida consistia no sangramento de majestosas seringueiras que forneciam seu precioso látex para o enriquecimento de ambiciosos empresários.

                Naqueles rincões inóspitos da Amazônia as populações recém chegadas estavam sujeitas ao sombrio designo da morte na forma de doenças comuns à região, com a malária e a hanseníase (à época denominada lepra) sendo as mais importantes, pelo grande número de vidas  ceifadas. Muitos cearenses ao retornarem, depois de longa temporada sem sucesso, aqui chegavam já infectados de doenças  endêmicas à região, embora os sintomas só viessem a se manifestar tempos depois.

                A irmã mais velha de meu pai,  Edith,  casou-se  com um conterrâneo que antes do consórcio tentara, debalde, a sorte no norte do país. O casal teve quatro filhos  todos do sexo masculino.

                Devido às dificuldades que o meio hostil impunha e à falta de perspectivas  daqueles que ganhavam a vida laborando a terra, seu marido buscou ajuda de meu pai para obter trabalho na capital. Veio morar em nossa casa enquanto arrumava emprego e condições para trazer mulher e filhos que ficaram aos cuidados de meu avô em Jaguaribe. Nesta época éramos nascidos  eu, ainda criança de colo, e meu irmão mais velho com pouco mais de ano de vida.

                Seu marido tinha uma ferida no tornozelo que nunca cicatrizava apesar dos ingentes cuidados de minha mãe, que fazia, pacientemente, as vezes de enfermeira no cuidar de sua enfermidade. Com o tempo mamãe desconfiou que o problema fosse mais sério, pois a lesão era indolor. Mamãe manipulava a ferida e ele estranhamente não reclamava qualquer tipo de dor ou desconforto. Papai ficou muito preocupado com a possibilidade de hanseníase. Se fossem verdadeiras suas suposições estaríamos todos correndo sérios riscos de contrair a doença. Principalmente minha mãe que cuidava do paciente sem preocupações maiores com assepsia e eu e meu irmão que costumávamos nos  enroscar nas pernas, braços e colo de seu cunhado.

                A doença era muito estigmatizada naquela época, tendo as pessoas o hábito de omitir ou mesmo esconder do público os parentes enfermos para evitar discriminação. Os doentes quando diagnosticados tinham que ser recolhidos a hospitais específicos (leprosários) onde ficavam isolados para cumprir longos e por vezes ineficazes períodos de tratamento.

                Papai pediu a ajuda de um médico seu amigo que discretamente nos visitou em nossa casa e com uma simples e rápida vista d'olhos facilmente diagnosticou a doença já em estádio avançado.

                Seu marido foi internado no  Leprosário, em Fortaleza, e lá permaneceu por longo período sem obter cura até seu falecimento.

                Contraíram a doença e apresentaram os sintomas  característicos primeiro seu filho mais velho e depois o segundo. Os outros dois não adquiriram a doença. Os filhos infectados foram internados no mesmo hospital, mas tiveram mais sorte que o pai,  pois depois de alguns anos de internamento ficaram curados definitivamente da terrível doença.

                Meu primo mais velho deu a meu pai muita preocupação, pois sempre que tinha uma folga do hospital telefonava solicitando dinheiro para se divertir nos lupanares da cidade. Meu pai evitava recebê-lo em seu local de trabalho. Temia vir a ter sua condição se saúde  descoberta e em consequência  sofrer alguma  discriminação. Combinava um local público, geralmente na praça do Ferreira situada no centro da cidade.

                Em alguns momentos, no final de semana, ele se dirigia ousadamente à nossa casa. Quando isso acontecia era reservadamente recebido apenas por papai e sua presença era restrita à sala de visita. Éramos, os filhos, terminantemente proibidos de aparecer na sala. 

                Fico a imaginar quantas prostitutas não vieram a ser contaminadas diretamente e quantos "clientes"  teriam posteriormente contraído a doença pela ação irresponsável e egoísta de meu primo.   Durante muito tempo sua figura ameaçadora  pairou sobre nossa família como uma espada de Dâmocles. Hoje vejo o quadro com um olhar diferente. Meu primo fora mais vítima que algoz. Era apenas um jovem recém saído da adolescência, extraído do seio de sua família e encarcerado num local hostil e sem um mínimo de afeto humano. Até os parentes mais próximos, no caso minha família,  o evitavam. Não deve ter sido fácil para ele e também  para  o irmão.

                Minha tia Edith não contraiu a doença. Era uma mulher de espírito forte, inquebrantável. Cedo resignara-se com as vicissitudes e revezes que o destino lhe reservara.

                Passou a vida esperando como a maioria das mulheres do seu tempo. Primeiro o noivo que viajara para o "inferno verde"  com promessa de voltar para levá-la consigo. Esperou uma segunda vez quando, já casados,  ele a deixou com os filhos e partiu em busca de dias melhores na capital. Na partida deve ter feito mil promessas de retornar já bem de vida para buscá-la. Mais uma vez seus sonhos foram frustrados.

                Acompanhou, à distância, a desdita do marido, seu  internamento  compulsório por atroz desígnio do destino. Findou, imagino,  por sentir-se aliviada, apesar da perda, quando  a vida do seu marido, desde sempre um eterno pesadelo, chegara ao final como uma dádiva, uma  libertação. Continuou esperando, desta vez pela cura e liberdade dos filhos, também vítimas, também condenados  pelo mesmo impiedoso e implacável destino.

                Os filhos, depois da cura, evadiram-se da terra natal.  Escolheram, na tentativa de obtenção de dias melhores, não o Norte como  o pai uma vez tentara, sem sucesso,  mas o Sul, novo eldorado dos desvalidos nordestinos. Não para o inferno verde opressor da Amazônia, mas para a selva de pedra intimidadora da pauliceia.

                Com o tempo e as decepções cansou de esperar. Resignou-se e passou a viver sua solidão,  a guardar o nada, pois foi o nada que o destino lhe reservou. 

                Durante um bom tempo ficou viúva de marido vivo.  Depois de sua  morte, ainda jovem,  permaneceu viúva por quase toda a vida. Já idosa, decidiu  casar com uma pessoa humilde que lhe fazia companhia e ajudava na faina diária de sua roça e de seus bichos.  Davam-se um ao outro tratamentos formais de DONA EDITH e MEU SENHOR. Os familiares ficaram "escandalizados" com sua atitude. Como pode uma "velha", já quase sem idade, viúva de muitos anos, decidir casar e por cima com uma pessoa simplória, inexpressiva, um seu serviçal?  Meu pai  tomou partido da irmã mais velha, argumentando ter ela todo o direito de buscar um pouco de lenitivo e apoio no companheiro escolhido para dividir seus derradeiros dias.

                Terminou sua vida só, embora na companhia do novo marido, perto de sua roça e de seus bichos, mas distante dos filhos que gerou.

F J TÁVORA

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LOIRINHA

Cabelos loiros rebeldes ao vento

Esvoaçantes em desalinho constante

Olhar distante, desafiante

Mui confiante em venturoso porvir

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Fiel às suas raízes telúricas

A observar com singular devoção

Na sinfonia da mãe natureza

Os sons rompendo o silêncio no campo

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No chilrear de pássaros formosos

No zumbir de abelhas operosas

No cantar de cigarras preguiçosas

No coaxar de batráquios feiosos

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A caminhar saltitante nas campinas floridas

A se banhar no açude das chuvas caídas

A desafiar a força das águas na bica

A passear na alameda dos bambus majestosos

A descansar na sombra dos bosques frondosos

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A conquistar o coração do avô enternecido

Com a alma alegre e o corpo sofrido

Feliz com a presença da neta querida

F.J.TÁVORA

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IMAGENS

 

Imagens

Exóticas

Lascivas

Devassas

Eróticas

 

Imagens

Candentes

Renitentes

Constantes

Persistentes

 

Imagens

amorosas

prazerosas

virtuosas

venturosas

 

Sagrada e profana

Singular e plural

Tangível e etérea

Efêmera e duradoura

Infinita, infinita...

 F J TÁVORA

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SUSSURRO DOS DEUSES

O que é a morte

Senão a ausência

De lembranças

De saudades

De esperanças

De vontades

 

De riso

De choro

De alegria

De tristeza

De movimentos

De sentimentos

 

É a quietude

A escuridão

O vazio

O fim

O nada

Pois nada é o que resta

Quando a chama apaga

 

O que é a vida

Senão o acaso

Do azar ou da sorte

Um fugaz momento

Um átimo

Um breve sussurro dos deuses

Entre dois inescrutáveis silêncios

Silêncio do que não terá sido antes

Silêncio do que não virá a ser depois

F J TÁVORA

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RETORNO

Hoje fiquei solertemente Dando mil voltas no pensamento A tua ausência se fez presença Mais machucando meus sentimentos Fiel ao amor jurei ser sempre Apesar do teu alheamento Quem sabe um dia pra sorte minha
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O EXEMPLO DAS ESTRELAS

Antes dos amores

Lembrados e esquecidos

Guardados e perdidos

Nascidos e morridos

Ao longo dos caminhos da vida

Havia estrelas no céu

E depois que eles passarem

Elas lá continuarão a brilhar

 

Mas a exemplo das estrelas

Há amores que nunca passam

Antes se tornam perenes

A alimentar as saudades

Acendendo as lembranças

Na alma dos amantes

De uma paixão que findou

Mas que o tempo não apagou

 

A perda de grandes amores

Fortaleceu o teu talento

E passou a alimentar

No teu mundo encantado

Repleto de nostalgia

O coração das pessoas

Que esquecem a dor na magia

De tuas lindas poesias

F J TÁVORA

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INVENCIONICE

 

Acordei mais nostálgico que o usual

Recordei minha infância, pedaços dela

Lembrei como lamentava a sorte das galinhas no quintal

Que coisa mais tola, ter pena de galinha, que já tem muita pena

Este sentimento era aumentado em datas especiais

Véspera de natal, carnaval, sete de setembro

Ia ao quintal  e via as galinhas indiferentes ao que ocorria no mundo

 fora do seu mundo

Pensei: como é ruim ser galinha

Não veste roupa nova, não ganha presente, não vai a festa, não....

Hoje penso diferente

Não é de todo ruim ser galinha ou qualquer outro animal

Há algumas vantagens, até

Não têm sentimento

Assim, estão imunes aos sofrimentos da alma

Não sentem falta de alguém que gostariam próximo

Não ficam triste

Não têm preocupações

Não têm obrigações a não ser aquelas já demarcadas no genoma

Que as orientam na sobrevivência e reprodução

 

Amanheci com inveja dos bichos

Que não pensam

Que não sentem

Que não sofrem

Não gostaria de ser uma galinha

Talvez um bicho mais garboso

Com certeza do sexo masculino

Já que estou satisfeito com minha sexualidade

 

Tentei, debalde,  imaginar-me um animal insensível

Tentei despojar-me de qualquer sentimento

Do amor ao ódio

Mas eles estão impregnados em mim

Não se livra deles facilmente

Esta é a carga que tenho que carregar

O meu calvário

O preço que pago por minha existência

F.J.TÁVORA

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GOTA DE ORVALHO

Uma gota de orvalho

Balouça frágil, insegura

Sobre a pétala de uma  flor

Oscila mas tenta manter-se

Em instável equilíbrio

Pra permanecer altaneira

Dançando com muita graça

Qual bailarina charmosa

Resiste por algum tempo

Mas depois de luta ingente

Despenca para o vazio

Desfaz-se em mil fragmentos

Findando seu existir

Como se sido tivesse

Imolada a um deus pagão

Ávido por seu sacrifício

A espalhar sua fragrância

A espargir o seu frescor

Qual lágrima de jovem donzela

Abandonada na flor da idade

Por seu primeiro e único amor

F J TÁVORA

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SEM JUÍZO

Sensata paixão?

Como pode?

A minha é toda ousadia

Desatino, loucura, emoção

Na cama, no bosque, na praia

No barco, no trem, no avião

No banco do carro

andando na contra mão

Na  cozinha e no saguão

No elevador,  na escada

Deslizando no  corrimão

Com ela sou todo tesão

F.J.TÁVORA

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NÚMERO DOZE

Seja noite, seja dia

Seja começo ou fim

O número doze é cabalístico

Não se livra dele assim

 

Doze são:

os Césares romanos

as tribos de Israel

os filhos de Abraão

os deuses do Olimpo

os signos do Zodíaco

os apóstolos de Cristo

os meses do ano

 

Também doze são

As badaladas do relógio

A nos alertar do tempo

De um mundo sem portão

Sem ordem, sem direção

Que teima em pregar peças

Não poupa criança ou ancião

 

O som revela preciso

Nossa angústia, escravidão

Pois o tempo é nosso algoz

Vindita dos deuses malditos

Pra castigar a ousadia

Da nossa rebelião

Ao não mais querer ser seu súdito

Mas amigo,  filho  e  irmão

 

O que revelam  as badaladas?

Seja dia, seja noite

Não importa as circunstâncias

Seremos vítimas do tempo

Escravos de seu compasso

A dirigir nossas vidas

A regular nossos passos

 

Mas, nem tudo está perdido

Haverá de sobrar  tempo

Para fugir do torpe cárcere

E grande  amor desfrutar

Sem restrições, sem limites

Desafiando os deuses

Fazendo o tempo  parar

F.J.TÁVORA

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TOQUE

Preliminares de mútua entrega

de corpos, almas, vontades e desejos

Tudo bem  começa com ternura e meiguice

Evolui célere até atingir a explosão do desatino

Ao final, um lindo testemunho do casal saciado

Não  sabem  onde começam e terminam

seus corpos e suas almas

fundidos no infinito imensurável de suas paixões

A lua, companheira dos amantes notívagos

desnuda a noite com sua luz prateada

para permitir que eles, exangues

possam ainda  continuar se amando,

com o carinho do toque de seus olhares

F.J.TÁVORA

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Velhos sem saída

 

A vida é assim, cruel, mas temos que nos habituar a ela.

No início, quando chegamos a este mundo imprevisível, inescrutável,  nos primeiros passos,  temos uma plenitude  de ganhos. Ganhamos  de pronto,  avós, pais, irmãos,  tios e primos.

 A seguir vêm os  colegas, amigos e por aí vai.  Assim, seguimos num crescendo continuado até atingir o apogeu na meia idade quando o ciclo se renova e já temos uma nova família constituída.

Ao avançar na estrada da vida começamos a  contabilizar  perdas. Os avós, geralmente os primeiros, depois os pais, tios e por fim os contemporâneos de nossa idade próxima. O pior às vezes acontece quando a ordem é invertida e dolorosamente os filhos nos deixam precocemente. O que fazer quando isso acontece? Resignar-se e seguir a vida, com a pressa habitual da velhice, valorizando o restante do tempo que o destino  determinou.

No outono de nossas vidas não é tão fácil recordar apenas os bons momentos. O grande problema são as perdas acumuladas que são irrecuperáveis. Como o futuro pouco lhes promete, os velhos muito se apegam ao presente, pois este representa tudo que lhes sobra da  existência percorrida.

 Para o pessimista, o passado apenas o atormenta. De um lado pela sensação de perda das boas coisas acontecidas. De outro, dos fracassos acumulados que tanto sofrimento causaram. 

Para o otimista, ao contrário, o passado pode ser usado a seu favor. Os ganhos se transformam em  saudade e as decepções e frustrações  em   esquecimento.

F.J.TÁVORA

 

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PECAR

Pecar não é boa coisa

Pregam  as religiões

Acho que elas estão certas

Quem sou eu pra dizer não

 

Quando caio em tentação

Procuro me controlar

Nem sempre tenho sucesso

Fico com muito pesar

 

Passo a ser um fingidor

Jurando não mais pecar

Sabendo não ser verdade

O que acabei de jurar

 

Das coisas boas da vida

A  melhor mesmo é pecar

Com mulher desassombrada

Ávida por namorar

 

Dá amor durante o dia

Dá amor de madrugada

Na ausência do namorado

Até pro vizinho ela  dá

 

 Pecar com mulher de outro

Que só pensa em fornicar

E na hora da escapada

não para de rebolar

 

Tem as que alugam o corpo

Querem mesmo é faturar

Não veem nisso pecado

Adoram negociar

 

Não tem idade concreta

Pra começar a namorar

Donzela ou mulher madura

O que importa é querer dar

 

Pecadores renitentes

Libertinos empedernidos

Pra eles todos os pecados

São muito bem acolhidos

 

Não tenho medo de inferno

Sou um cara destemido

acho que os meus pecados

Já nasceram absolvidos

 

Termino esses singelos versos

Sem medo de revelar

Circunspecto e mui solene

Quem pensa que eu não vou pecar?

F.J.TÁVORA

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AQUELA MENINA

 

Era o tempo distante

A paisagem diferente

Do  torrão onde nasceu

Era quase um ser errante

 

Enfrentando luta ingente

Distante de sua gente

Dos amigos e parentes

Sentia-se muito carente

 

A mente cheia de sonhos

Buscando novos momentos

Mas a alma em desamparo

A alimentar seu lamento

 

Eis que surge em sua vida

Pra calar todo o seu pranto

Com olhos verdes brilhantes

muita meiguice e encanto

 

Mulher ainda menina

Vitimou-lhe com seus caprichos

Num jogo dissimulado

Nas teias de seu feitiço

 

Hoje ainda paira dúvida

Sobre aquela ocasião

Se o acaso do destino

Ou feliz condenação

 

Se sortilégio de um mago

Que acendeu sua paixão

Só tinha a agradecer

Com grande sofreguidão

 

Sem forças pra resistir

Tamanha obstinação

Rendeu-se àquela menina

Em passiva escravidão

 

F.J.TÁVORA

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CPP