Cruel Ventania
A ventania passou pelo olhar da poetisa
Carregando o alfabeto inteiro pelo ar
Ela, perplexa, naquele triste dia
Nada escreveu, nada conseguiu falar.
O vento continuou o seu caminho
Uivando em seu som indescritível
Os lamentos que se ouvia após o vento
Eram de uma dor que enlouquecia.
Sem palavras, num mundo estarrecido
O coração mudo da poetisa
Não suportando da multidão o alarido
Entregou ao furacão sua poesia.
O monstro foi se abrandando
Entre os escombros as palavras foram brotando
Uma a uma.
A poetisa deitou-se entre elas
E dormiu
Pra sempre.
Dolores Fender
20/09/2017
Comentários
Gostei de desfrutar dessa maravilha literária da sua criação.
Obrigada, Margarida Maria Madruga!
Que esta ventania sempre esteja presente em suas inspirações. Belíssimo texto Poetisa Dolores. Abraços.
Parabéns, poetisa, poema lindo, primoroso, adorei. Abraços, paz e Luz!!!
Isso é que é poesia! Lindo, Dolores! bjs