Miscelânea

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O instante requer silêncio,

Para que se quebre a rotina dos espasmos

Para que floresçam tulipas vermelhas

Para que jorre água cristalina da fontezinha.

Nada que seja pedra

Impedirá a passagem do canto da passarada

Quando o sol imergir no repouso absoluto

Nem sangrará outra vez a nódoa

Fincada no seio coronário...

Perdidamente a voz ecoará no vazio

E provocará um hiato entre mim e outros eus

Que porventura hibernem em minha alma

 

O instante requer silêncio

Sem que rompa os tímpanos do poeta

Que se alojou em seu cantinho

Para lapidar versos e construir poesias

Sem que, para isto, imortalize sua dor!

 

 Rui Paiva

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Comentários

  • É assim quando o silêncio se anuncia feito prece e essa prece se transforma em versos que se propagam pelos ares tal o som do passaredo no alvorecer.

    Os hiatos de teus eus hão de conjugar o mesmo verbo na distância de tua pena com os o teus pensamentos em perfeita floração.

    Meus aplausos!

    Destacado!

  • Se houve dor, esta se metamorfoseou em beleza no seu poema, Rui! Em cascata de belezas - cada verso, por si só, um alumbramento de imagem e música! Um alumbramento, porque a apoteose já se apresenta no início e prossegue... e nos envolve... e nos convoca a buscar o nosso próprio silêncio, o mais íntimo, que nos dará os hiatos de cada "eu" singular que perfaz o "eu" plural, que todos somos! Bem-vindo o silêncio - mas só depois do eco das suas palavras em nós para sabermos o que ele é, do que ele é capaz e o que ele produz e nós assinamos. Em "miscelânea" ! 

  • Muitas vezes é necessário silenciar, fechar os olhos e se transportar...E o silêncio para o poeta, serve para isso, para que ele possa construir poesias, porque quando as pessoas entendem as palavras, ela notam o mundo que as cercam, que as limitam...E ler e escrever, produz conhecimento e nessa miscelânia, você fez um emaranhado de palavras que acabou tecendo um belo poema...É sempre um deleite te ler...Fiquei encantada..Parabéns.

  • O grande menestrel é o mestre em lapidar as palavras. Pegue um papel e vá anotando os múltiplos vocábulos do arquimilionário baú do menestrel. Quanto mais, melhor. Depois você escolhe as preferidas. Comece a prestar mais atenção no seu estilo notarão propriedades daquilo que não é usual em seus trabalhos. Com certeza Pablo Neruda e Carlos Drummond de Andrade confirmariam o que estou dizendo!

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