É madrugada. A barriga roncou.
Levantou-se, foi à cozinha e pegou um copo de requeijão sem requeijão; encheu-o d’água.
Em três goles, depositou o líquido onde a dor era presente.
Tinha fome. Lembrou-se do conselho da mãe:
“Beba água, meu filho, que a fome passa”.
A fome é a pior inimiga do sono.
Abriu a janela, olhou a rua de terra e a fina chuva que caía.
Alguém cozinhava de madrugada; suas narinas denunciavam uma carne bovina sendo cozida naquela hora.
A boca salivou e, mais uma vez, tomou água.
Logo amanheceria. Quiçá, a pessoa que cozinhava àquela hora jogaria algo para ele comer no lixo.