Posts de Cristiano Luis Viaselli Júnior (23)

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O Sangue No Tapete

O sangue no tapete

Em passos de jabuti,
Venho chegando,
Sem desviar os olhos de ti
Que me observa da janela.
Não bato na porta,
Vou entrando,
E me sento ali mesmo,
No chão.
Agora na poltrona,
Feito barão,
Ainda me observando,
Você não diz nada.
Solto o meu presente,
Ainda sangrando,
Bem no tapete branco.

Um grito.

Você nem sabe,
Mas o peguei na laranjeira.
Me arrisquei,
Perdi meu laço favorito,
E mesmo assim,
Mesmo fazendo de tudo por você,
Tudo que você vê
É a mancha de sangue no tapete.

Barão ingrato!
Não te trago mais presente.

Cris de Marmelo – 15/03/2026

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Homem-Lesma

Homem-Lesma

 

Eu ando com preguiça,
Pela cerração de quarta,
Rastejando até o trabalho.
O chão áspero, gelado,
Parece até mais agradável.

O ronco dos caminhões,
Tão estrondosos trovões,
Andetra muito mais suave
Na minha caixinha pensante
Do que os ruídos das vozes.
Um enxame mascarado,
Com seus risos e olhares
Que disfarçam seres algozes.

O tilintar de metais em choque,
O sopro do sistema pneumático,
Apitos de sirenes e alarmes,
Fazem minha orquestra diária,
A parte que não me esgota.

No chão, agora escaldante,
Rastejo de costas para casa.
O mar de vozes na cabeça,
Essas que entram e ficam,
Ecoam durante o percurso.
Elas se esvaem quando deito,
E o processo me esvai junto.

Eu ando com preguiça,
Pela cerração de quinta,
Rastejando até o trabalho.
O chão áspero, gelado,
Parece até mais agradável.

 

Cris de Marmelo

04/02/2026

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Velozes e Furiosos

Velozes e Furiosos

 

Esses carros passando
Estão em alta velocidade.
Correm na avenida da cidade,
Apressando, Apressando, Apressando.

Eu dirijo devagar,
No limite exigido
No limite do que posso.

Esses carros correndo
Acabam se chocando.
É um momento horrendo
Onde a fúria não vê quando,
Não vê quem e nem porque;
Pensam sabe-se lá o quê.

Eu dirijo com cuidado,
Na preventiva exigida,
Na preventiva da minha vida.

Os carros me cortam a frente,
Me podam e me ultrapassam.
Fazem isso com qualquer gente
Mesmo ordenando que não façam.
Querem chegar à algum lugar,
Talvez o mesmo que quero chegar,
Mas se a chegada é imóvel,
Pra que tanta pressa nesse automóvel?

Eu dirijo sem pressa,
Com os olhos no fim,
Admirando o meio fio.

 

Cristiano Luis – Marmeleiro, PR

16/11/2025

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Miniconto – O Ex-palhaço Marmelada

O Ex-palhaço Marmelada

 

Sem planejamento, arrumei uma mala com as minhas roupas e uma mochila com meus objetos pessoais. Numa caixa de sapatos lacrada com fita, guardei as minhas lembranças desta cidade. Embarquei no ônibus sexta-feira, às seis da tarde. Não havia ninguém na rodoviária para se despedir de mim. Meu irmão estava no circo apresentando nosso número; O Show dos palhaços Marmelada e Soledade, que agora seria apenas de Soledade. Não contei a ele que iria embora. Fico imaginando a expressão que fez ao ver que não subi no palco, nem sequer estava ali. Olhei as luzes da cidade sumir aos poucos. Lágrimas silenciosas caíram de meus olhos, mas não me disseram o motivo de estarem ali. Talvez Soledade tenha chorado e o cordão que nos conecta trouxe suas lágrimas até mim.

Soledade não é irmão de sangue, é do espírito. Não sei se fomos palhaços em outras vidas, mas com certeza sempre estivemos juntos, assim como a arte também nos acompanhou. Nessa reencarnação coube-nos levar a alegria à criançada através de nossos shows. Apesar de tudo, mesmo nos dando bem juntos, Soledade não seria capaz de dizer quem eu sou hoje. Por isso, fugi da cidade onde morava, rumo à minha origem, a fim de saber quem é esse palhaço que sou.

Cheguei a Marmeleiro às seis da manhã. Era frio. Ninguém esperava no terminal além da moça da bilheteria. Peguei um táxi até o centro e me hospedei no único hotel da cidade. Da janela do quarto, via todo o perímetro do lugar: um grande quadrado. Qualquer homem atravessa a cidade em meia hora de caminhada. O ar era avermelhado, efeito da terra paranaense. Via crianças brincando de bola na rua, senhoras e senhores tomando chimarrão nas calçadas e alguns peões seguindo na avenida a cavalo. Mais à esquerda, avistei as ruínas do que fora um hospital; há 24 anos nascera ali Marmelada.

Do zero, precisei recomeçar. Na primeira semana arranjei um emprego. O palhaço agora seria paneleiro. Fui contratado como auxiliar de produção numa metalúrgica que fabrica panelas. Sons metálicos viraram o fundo musical do meu show. Um show que não era seguido de risos nem aplausos. Não havia crianças para ver minhas acrobacias. As frigideiras não davam bola para as minhas piadas. As prensas só me davam mais panelas para empacotar. Quanto aos outros funcionários, não queria que soubessem que fui palhaço.

Em pouco tempo aluguei um apartamento. Comecei a ouvir gritos vindo das paredes. As lâmpadas piscavam e uma voz anunciava “com vocês, a dupla mais divertida dos circos, os palhaços mais elegantes do mundo, os Reis da Risada… são eles, Soledade e Marmelada!”. Tudo dentro de casa parecia vibrar como uma plateia. Então, na segunda semana, me coloquei numa igreja. Ali, pela primeira vez, me receberam com abraços e sorrisos. Disseram que aquele era o melhor lugar que eu poderia estar. No dia seguinte, as paredes se calaram, mas os ecos continuaram nos meus sonhos.

Aos finais de semana caminhei pela única praça existente na cidade. Era apenas eu, a poeira vermelha e as folhas levadas pelo vento. O sol estava sempre enfraquecido pelas nuvens e nem os cães tinham forças para latir. Em um sábado ali naquela praça, sentado em um dos bancos, escrevi o que parecia ser uma carta. Deixei-a na mesa e fui caminhar pelo cemitério. Entre tantos corpos ali, só conhecia meus bisavós e o meu tio, Paulinho. Nunca me dei bem com esse tio, mas ele ficaria orgulhoso do Marmelada. Depois de atravessar aquele mórbido jardim de almas, voltei à praça e de longe vi uma moça na mesa onde deixara a carta. Ela ria, dava tapas na mesa, berros escandalosos seguidos de gargalhadas e quase caía. Os cantos da minha boca tremeram, prestes a abrir-se num sorriso, um ao qual escondi na caixa de sapatos lacrada com fitas.

Depois de meses repetindo tudo o que eu fazia, trabalho, igreja e cartas na praça, tomei uma decisão que não foi tão difícil quanto imaginei. Busquei numa das gavetas da cozinha uma faca, sentei no chão do meu quarto e posicionei a caixa selada à minha frente. Decidir foi fácil, cumprir com a decisão que foi difícil. Não sei por quanto tempo fiquei ali sentado com a faca levantada e os olhos imóveis no objeto. Não piscava e não via nada. Apenas estava ali, como um boneco de corda que espera alguém que o acione. Tive a impressão de ouvir uma buzina vindo de dentro dela, e num susto larguei a faca. Aproximei o rosto da caixa e encostei meu ouvido. Uma risada ecoou. Catei a faca do chão, desesperado, dilacerei as fitas. A tampa abriu. Um vento violento correu pelo quarto carregando os pombos que saíram daquela prisão. Uma corda infinita de lenços se desenrolava pelo chão, enquanto coelhos corriam de um lado para o outro. Uma torta voou, me atingiu o rosto e desmaiei. Borboletas rodearam minha cabeça. Suas asas batiam como aplausos distantes. Quando acordei, o quarto estava vazio.

Engatinhando, aproximei-me da caixa. Peguei um nariz vermelho. A buzinada do nariz me fez sorrir. Desdobrei a roupa. Calça e terno feitos de remendos laranja e marrom, um cachecol branco e uma cartola igualmente remendada. A peruca, fios grossos de lã marrom, ainda carregava o perfume do marmelo. Meu sorriso se alargava. Encontrei um pó de arroz, espalhei pelo rosto. Peguei as tintas, fiz os losangos marrons nos olhos, a sobrancelha preta arqueada e uma bolinha vermelha em cada canto da boca. Vesti-me de Marmelada e até os grandes sapatos calcei. A gargalhada me possuiu. Corri para o meio da rua. Fiz esculturas de balão e as distribuí para as crianças. Dei cambalhotas na praça e corri dos cachorros. Dei tortas para as senhoras e, aos senhores, torta na cara. A cidade gargalhava comigo e uma chuva de confetes vinha atrás de mim.

Quando percebi, já estava em outro lugar. Não era Marmeleiro. À minha frente, o circo de onde fugi. O espanto fechou meu rosto. As luzes me convidaram a entrar. Sentei entre a multidão da plateia e aguardei pelo show. No centro do palco uma cadeira, apenas uma luz a iluminava. Um palhaço muito chorão entrou e se sentou. Ele estava de cabeça baixa, vi suas lágrimas caindo no chão. Meus olhos também derramaram suas gotas. Era Soledade ali. De repente os holofotes me encontraram. Os pingos que tocavam o solo rufaram como tambores. A plateia acompanhou com suas palmas. Dei uma pirueta, caí no colo de Soledade. A cadeira cedeu, as lágrimas cessaram, Soledade me jogou para longe e a plateia ria de se rolar. Levantei. Puxei meu irmão do chão, ganhei um tapa bem dado no rosto e um abraço caloroso no final. Ele sorriu e nosso cordão foi reatado.

Agora sei quem sou. A caixa de sapatos ficou em Marmeleiro e, no circo de Brusque, O Show dos irmãos Marmelada e Soledade estava de volta!

 

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Essa cidade lê?

Título: Essa cidade lê?

 

Me disseram que, para eu ser um escritor, alguém precisaria pagar pela minha escrita. Não importa o valor, contanto que eu tenha sido pago.

 

Eu sempre quis ser escritor.

 

Decidi anunciar meu trabalho. Fiz cartazes e placas e espalhei por toda a cidade, cada um mostrando coisas diferentes que escrevi, tudo assinado com meu nome.

 

Em uma placa em frente a prefeitura deixei um poetrix:

 

“Paraná, meu pé vermeio!

A piazada pançuda

Ri e rola em teu chão.”

 

Ao ler, toda a piazada ria de se jogar no chão.

 

Deixei no pátio da escola que eu estudei um cartaz enorme com a frase:

 

“Se você quer dominar o mundo, leia um livro; do contrário, você será dominado”

 

Todos, alunos e professores, correram para a biblioteca.

 

Num cartaz em frente a um salão de beleza escrevi uma reflexão:

 

“Acho engraçado o dia dos namorados cair justo no inverno. Sinto falta de um homem ao meu lado para me aquecer nesse clima gelado. Se fosse no verão, que falta me faria um namorado?”

 

As mulheres olhavam umas para as outras, cochichavam e depois riam.

 

Até mesmo no mural da igreja coloquei um pensamento:

 

“Como é simples o seu amor! Como não ver e não ter temor, quando ofereceu suas mãos e as pregou na cruz, o Rei Jesus, em meu lugar pra me salvar?”

 

“Glória e aleluia” diziam os fiéis que por ali passavam.

 

Escrevi um conto na porta de um banheiro público e aforismos nos bancos de um ônibus; choravam ao ler. Pus bilhetes de bom dia nas mesas da lanchonete e cartas de amantes nas mesas do bar da esquina; fiz a alegria de muitos assim.

 

Risquei cantigas nas calçadas da praça e críticas sociais nos muros. Distribuí panfletos contando sobre a vida dos patos no zoológico e fixei uma placa com o resumo no lago. Fiz chover biscoitos da sorte pela cidade e post-its com frases motivacionais.

 

A cidade estava eufórica! Mas, uma semana se passou e ninguém me procurou para escrever. Meu sonho é ser escritor. Será que sou tão ruim assim? Ninguém pagaria por um texto meu?

 

Fiz tudo de novo.

 

Pendurei no portão do cemitério um cartaz com o recado:

 

“Dizem que na madrugada, quando o relógio bate às três, levantam-se caveiras e reis.”

 

Acho que vi as próprias caveiras lendo esse.

 

Num outdoor em frente a casa da minha ex escrevi um acróstico:

 

“S ete horas da manhã,

A cordo e me levanto.

U m bocejo, me espreguiço.

D ou bom dia e percebo,

A gora tão sozinho,

D e você eu sinto falta

E me falta meu benzinho.”

 

Ela me mandou uma mensagem me chamando de panaca.

 

Na entrada da cidade levantei uma placa que estava escrito:

 

“Marmeleiro, terra do marmelo,

A qual marmelo só tem no nome.

É pura marmelada!”

 

Foram mais de mil buzinas que a placa recebeu.

 

Na porta de uma cartomante colei um feitiço para encontrar o amor verdadeiro e na entrada do bordel um feitiço de invisibilidade; os clientes me agradeceram. Escondi um conto erótico no banheiro da mecânica e outro na gaveta do caixa do supermercado; de repente o fluxo nos banheiros aumentou.

 

Espalhei receitas que inventei na entrada dos restaurantes, pendurei cartas de amor nas portas dos vizinhos, entreguei currículos nas caixas de correio e contratei um avião que levava uma faixa com meu nome e o contato.

 

Há cinco anos eu continuo fazendo a mesma coisa. Ser escritor é só o que eu quero. No meu corpo tatuei minha autobiografia e fiz da cidade meu portfólio. Ninguém me deu um único centavo. Aceitei meu fardo de escritor que vale nada.

 

Em compensação tive o que muitos escritores ansiavam receber: sorrisos, lágrimas, elogios, xingões, suspiros e espantos. Meu pagamento foram os corações da cidade. Eu ainda não sou escritor, mas com certeza sou eu quem mantém vivas as letras desse povo.

 

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Microconto – Enrolado naqueles cachos

Título: Enrolado naqueles cachos

Enrosquei meus dedos em seu cabelo cacheado. Deitada em meu peito, ela deslizou a mão pela minha barriga. Suspirei, sorri e disse:


— Se for menina, será Abigail.
— Gosto desse nome.
— E se for menino, será Benjamin.
— É um nome muito bonito, amor.


Levantamos, nos vestimos e ela saiu desfilando do quarto enquanto meus olhos a seguiam. Antes de atravessar a porta, ela parou, olhou para trás e me fez sinal com o dedo para que a seguisse. Meus pés moveram-se sozinhos.

Andei sete longos passos até chegar na fronteira do quarto com a igreja; todos estavam de pé, alguns sorrindo, outros chorando, e minha mãe entrou comigo. Chegando no altar, o pastor anunciou a entrada da noiva; conduzida pelo pai, veio até mim. Mesmo com o rosto coberto, pude ver seu sorriso de orelha a orelha.


— Eu aceito! — falei sem hesitar. Fechei os olhos e nos beijamos por longos sete segundos enquanto todos bradavam e aplaudiam de pé. Quando abri os olhos, peguei-a pela mão e fomos para o jardim onde nossos dois filhos brincavam.


— Nossa Abigail tem os lindos olhos da mãe.
— E o Benjamin é charmoso como o pai — disse ela antes de beijar minha bochecha.


Pegamos as crianças e entramos no carro. Durante a viagem cantávamos e contávamos piadas. Não demorou para chegarmos na casa dos meus pais para a ceia de Natal.  Todos os parentes nos cumprimentaram com beijos e abraços e deram presentes para as crianças. Abracei a cintura da minha esposa e ela reclinou a cabeça sobre meu ombro. Eu disse que a amava muito e estava feliz com a família que tínhamos.

Ela se colocou na minha frente, sorriu e se aproximou do meu ouvido:
— Vamo, Mateus! Abre as caixas, cara. Você tá sonhando?


Pisquei três vezes e voltei a trabalhar.

 

Cris de Marmelo – 10/10/2025

 

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Sabedoria dum poeta

Sabedoria dum poeta

É só abrir os alçapões da mente,
derrubar as muralhas do coração,
soltar as correntes dos sentimentos,
deixar que os cachorros corram soltos,
fazer com que os papagaios falem mais alto;
esqueça o fato do copo ter se quebrado
e cole os pedaços para fazer um prato novo –
assim você tem uma poesia.

Cris de Marmelo – 12/10/2025

Marmeleiro, PR

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Negras telas

Meus caros amigos, hoje vos trago algo totalmente diferente do que venho mostrando. Como vós sabeis, costumo escrever num estilo fora do comum e sobre os mais diversos temas, predominando entre eles algumas obras cristocêntricas. Dessa vez, destranco os cadeados, abro meus alçapões, retiro alguns lençóis, levanto os tapetes, arredo as cortinas e deixo a luz dos vossos olhos se encontrarem com parte da minha sombra. Destaco que hoje estou muito bem, saudável e feliz; portanto, não se preocupem quanto ao conteúdo da obra, pois ela somente reflete experiências do passado... apenas tentem degustá-la.

 

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Negras telas

Eu vejo uma grande píton
Vindo em minha direção.
Ela sibila o nome "depressão",
E seu rastejo não faz som.

Em seus olhos vejo lágrimas,
Seu único brilho vem delas.
Suas íris não mais ávidas
São apenas negras telas;
Eu me vejo nelas.

Ela se posiciona vagarosamente;
Põem sob meus pés sua cabeça,
Seu corpo ao meu redor circularmente,
E então ela começa...

Sobe pelas pernas,
Passa meus joelhos,
Aperta minhas coxas,
Amarra-se na cintura,
Atravessa minhas costas,
Enrola-se no pescoço,
E para sob a cabeça.

Ali suas lágrimas escorrem;
O meu corpo elas percorrem
E me amortecem os sentidos.
Meus vasos sanguíneos já contidos
Dão ao coração sua última palpitação.

A boca dela coroou minha cabeça,
Desceu pelo meu corpo gelado...
Eu fui engolido, embalado,
Antes que a morte me aconteça.

Agora, sufocado,
Minhas íris são negras telas;
Eu não me vejo nelas,
Mas elas refletem meu pecado.

Cristiano Luis – Marmeleiro, PR

04/10/2025

 

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O Plano Perfeito

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O Plano Perfeito

 

Cada ser recebe um dom,

Único e especial,

Do Pai Celestial,

Dono do ritmo e do som.

 

Não só do som ele é dono;

Dele é a herança,

E também a dança;

Ele está sobre todo trono.

 

Dele é a arte da poesia;

A Ele pertence a artilharia;

Foi seu ofício a marcenaria;

Ele inventou a gastronomia.

 

Ora, Ele é O Criador;

Concedeu-nos o amor,

Seu dom mais precioso,

Distribuído pelo Cristo gracioso.

 

Cada ser um dom recebe

De acordo com o plano do Pai;

Quando nossa mãe nos concebe

Ele nos enche e diz "Vai!"

 

Assim é feito;

Cumprimos o plano perfeito

Viajando pelo mundo criado

Transbordando o amor que nos foi dado.

 

Cristiano Luis

28/09/2025

 

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Quem ouviria um qualquer?

Não estou habituado a escrever em prosa poética e essa foi uma tentativa, um desafio que propus a mim mesmo, a fim de explorar meus limites. Gostaria que meus irmãos lessem e dessem sua sincera opinião. Abraços calorosos!

 

Quem ouviria um qualquer?  

        Como eu poderia dizer qualquer coisa sobre Deus? Quem ouviria um pobre sujeito como eu? Como poderia eu saber algo sobre Deus, se Ele não tivesse se revelado a mim? Antes de tudo, como poderia pronunciar uma palavra sem o Seu ensinamento? Pois, se as palavras existem para a comunicação, não foi Ele quem ensinou o primeiro homem a falar? Sem Ele, somos apenas animais sobrevivendo na terra; com Ele, somos filhos convidados a ter uma relação íntima com Deus, e assim aprendemos a nos comunicar, a falar e conversar, a ouvir e repetir o que Ele diz.

       Voltando ao início: quem ouviria um pobre sujeito como eu? Não sou nada em comparação a qualquer pessoa; uma criança tem mais honra do que eu e um senhor é muito mais sábio que eu. O que poderia um jovem pecador dizer sobre o Deus Santo? Que verdade poderia um mentiroso contar? Poderia alguém sem valor ser ouvido? Teriam suas palavras alguma utilidade? Todas essas perguntas são válidas, e a minha resposta é:

– Eu não sou capaz de dizer nada sobre aquilo que não conheço; por isso não digo palavra alguma, mas ELE fala através de mim!

 

27/08/2025

Cristiano Luis

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Indriso – No fio da saudade

No fio da saudade

 

Que falta faz uma companhia!

Eu, poetisa, escrevendo sozinha
Versos que nunca serão lidos
Por meus amigos artistas.

Mais uma obra não lida!

Eu, poetisa, escrevo ao vento
Sentindo falta daquele tempo
Que liam minhas entrelinhas.

 

Luisa Celeste

(13/06/2025)

 

Nota: Costumo utilizar o pseudônimo Luisa Celeste para assinar algumas de minhas obras em certas ocasiões, como quando a voz do eu lírico é feminina, que é o caso deste Indriso.

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CPP