Posts de Cristina Maria Afonso Ivens Duar (289)

Minha Face lavada


A minha pele será sempre pálida,

Não ouso sequer maquilhar-me,

Para quê fingir que sou ávida,

Se a terra vai comer-me a carne,

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Os meus olhos continuam chorosos,

Chorosos de já não serem jovens,

E nos cantos tão rugosos,

Só se vêem certas miragens,

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Engana-se aquele que encobre,

As marcas do tempo que passa,

Esquecendo que também morre,

Passando a ser uma farsa.

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Assim quando eu partir,

Me dêem uma só cor,

Uma rosa na face a sorrir,

Para morrer digna de amor.

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cristina Ivens Duarte-13-08-2017

Saiba mais…

Eterno Sonho

Voava como um avião de papel,

Tão leve como um pedaço de napa,

Que eu guardara desde longa data,

Enrolado a um fio de cordel.

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Achei-o num dia tristonho,

Amassado parecendo chapa,

Uma noite apareceu no meu sonho,

Caído num bairrinho de lata. 

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Ele voara tanto com o passar dos anos,

Como um tufão que provoca danos,

No peito um cordel apertado.

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Ao dormir, por vezes está ao meu lado,

Destemido...ainda me pergunta,

Porque sonho eu acordado?

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Cristina Ivens Duarte-11/07/2017

 

 

 

Saiba mais…

O Primeiro Amor

Quanta ternura em nosso olhar,

Quando em harmonia nos beijamos docemente,

E o sol sorrindo em nossa mente a iluminar,

O primeiro amor flutuando entre a gente.

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Fechámos os olhos e ficamos a sonhar,

Pincelámos o céu de rosas adoçadas,

E a ternura quase nos fez chorar,

Com a macieza dos lábios inesperada.

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Beijar...beijar até tapar os ouvidos,

Para sempre com os lábios unidos,

Duas crianças, dois beija flores.

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O amor, o nosso coração invadiu,

No ar, um brilho mágico que nunca se viu,

Duas sombras...a verter de amores.

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Cristina Ivens Duarte-1/06/2017

 

 

Saiba mais…

Rastros De Um Silêncio

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Saiba mais…

" Fragrâncias "

Eram aromas, fragrâncias por inteiro,

Como se em flores, eu estivesse estendida,

Que na brisa do teu sopro...senti o teu cheiro,

Alucinando, meus dias, minha vida. 

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O cheiro do teu perfume impregnado,

No meu corpo, minhas mãos, minha cama,

Como se um fogo, se tivesse inflamado,

Num ápice, tudo em volta ficou em chama.

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Entrelaçando todos os meus nervos em versos,

Labaredas, vindas da alma a navegar,

Carinhos e beijos ficaram impressos.

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Corpo entre corpo, num enlace primordial,

Fomos astros a brilharem neste amar,

Jamais haverá um momento deste igual.

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Cristina Ivens Duarte-2/05/2017

 

Saiba mais…

" Os Três Males Da Vida "

Os Três Males Da Vida

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Os três males da vida,

Responsáveis pela infelicidade,

É a «Ganancia» sem medida,

A «Vaidade» e a «Necessidade»

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«Ganância»

Não escrupulosa ganância,

Que trazes a infelicidade,

Fazes o homem de importância,

Escravo sem necessidade.

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Muito mais quer apanhar,

Porque muito mais quer ter,

Esquecendo que vai deixar,

Cá tudo, quando morrer.

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«Vaidade» 

Pode não ter um tostão,

Ou até estar empenhado,

Mas vai todo fanfarrão,

Ao vizinho pedir emprestado.

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A vaidade, não deixa ter,

A ninguém nenhum valor,

Veste muito bem sem poder,

Querendo imitar o doutor.

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É a vaidade que faz,

A miséria engravatada,

Porque ninguém é capaz,

De dizer que não tem nada.

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«Necessidade»

A necessidade é sofrimento,

Dos que não têm que comer,

Explora a cada momento,

Os que nela querem ter.

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E não faça confusão!

A necessidade é um perigo,

Não perdoa ao irmão,

E muito menos ao amigo.

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E não há nada a fazer,

Não pode ser corrigido,

Com estes males a correr,

O mundo está perdido.

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E não sendo nenhum igual,

Qual destes é o maior?

Destes três tipos de mal,

Qual deles é o pior?

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Cristina Ivens Duarte-28/04/2017

 

Saiba mais…

" Transparência "

À luz do sol, ao fim da tarde,

O sentimento é forte, de pura emoção,

Contemplá-lo, é amor que arde,

É platónico, é transfusão.

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Em versos, trovas e melodias,

Me reporto aos sonhos desvanecidos,

Que na cegueira das minhas fantasias,

Em amor e luz ficamos fundidos.

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Ora brilhamos, ora escurecemos,

Andamos nisto, num vai e vem,

Porém, só nós é que sabemos,

A cor que a nossa alma tem.

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Na genuinidade da minha transparência,

Cujo a vida me tem sido traiçoeira,

Transponho em versos a minha essência,

Com cheiro a flores de uma laranjeira.

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Cristina Ivens Duarte-25/04/2017

Saiba mais…

"A Minha Ausência"

A minha ausência tem sempre um significado,

Embora por vezes eu não diga a verdade,

É uma desculpa, um argumento inventado,

É uma fase, não é defeito ou maldade.

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Não estou aqui, nem ali, nem além,

Não estou capaz, nem sequer de falar,

Não quero ouvir, nem saber de ninguém,

A minha alma não está em nenhum lugar.

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Eu sou assim, de uma tremenda inconstância,

Como a temperança dos climas sazonais,

Que para uns, são de grande importância, 

Mas para mim, são dilúvios existenciais.

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Um dia amo, outro dia odeio,

Estou em total descompensação,

Não penso, não sinto , nem creio,

Que no meu peito exista um coração.

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E então, ausento-me para me procurar,

A mim, e à minha esperança,

Que está constantemente a chorar,

E tem o tamanho de uma criança.

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Cristina Ivens Duarte-12/04/2017

 

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Saiba mais…

" Canoa Dos Meus Pensamentos "

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Saiba mais…

" Um Milagre Na Praia "

No horizonte, um cacho de carinho,

Que linda a tarde sobre o mar,

Lá vai o sol seguindo como um raminho,

Sobre as vagas... seus raios a derramar.

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Diante delas, desenha asas que incendeiam,

As maçãs do rosto da areia molhada, 

E, sobre mim, o oiro se esbraseia,

Deixando a minha visão encandeada. 

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E eu, como uma frágil garça voando,

Vou dormitando sobre os céus abençoados,

Por ora, meus olhos vão lacrimejando,

Nascendo lagos nos meus lábios gretados.

**

As suas mãos, delicadas, milagrosas,

Humedeceram minha boca ...pela metade,

E ali, nasceram cravos, nasceram rosas,

Ao fim da tarde, naquela praia, deu-se um milagre .

 

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Cristina Ivens Duarte-14/03/2017

 

 

 

 

 

 

 

 

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Saiba mais…

" Versos Ao Vento "

De vez quando, vem-me um verso ao pensamento,

Como uma brisa que sopra, leve, refrescante,

Mas, quando eu vou escrever, ele voa como o vento,

E em meu corpo, minhas mãos, uma dor penetrante.

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Quanto mais penso, não sei o que dizer,

E então, penso na dor que guardo no coração,

Num relance, sinto a morte a querer descer,

Escoando palavras, de luto, e de emoção.

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Um cheiro adocicado, imutável, a sangue,

Que enlouquece de prazer, o meu coração aberto,

Contraindo-me, pedindo que, nunca estanque,

Uma hemorragia mágica, talvez, não sei ao certo.

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E o véu dos meus sentimentos será preto,

Desvendando os meus tempos de solidão,

Escrever, será sempre com tormento,

Esvaindo-me em versos pelo chão.

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Cristina Ivens Duarte-12/03/2017

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Saiba mais…

Choro De Felicidade

Choro De Felicidade

Nos seus olhos vi duas lágrimas a rolar,
Como um extenso mar, calmo, sem fim,
E nas ondas havia algo a flutuar,
Tão valioso, tão branco, como o marfim.
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Era choro de felicidade de tanto amar,
Escorrendo cada uma, como pérolas lustrosas,
Descobrira um tesouro no fundo do mar,
Que brilhava, como finas pétalas rosas.
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Encontrara seu amor que estava perdido,
Aquele que talvez, agora a fizesse feliz,
Um tesouro há séculos escondido.
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E as lágrimas que eram de alegria,
Tornaram a sua face tão luzidia,
Depois de tanto tempo a viver infeliz.
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Cristina Ivens Duarte-07/03/2017

Saiba mais…

O Meu Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje, 

Tão triste, tão vago, tão magro,

Nem estes olhos tão vazios,

Nem o lábio tão amargo.

**

Não consigo bradar o meu peito,

Que por frieza, engano e distancia,

Morre, mirra, putrefeito,

Por ausência, e tamanha inconstância.

**

Eu não dei por esta mudança,

Tão simples, tão certa, tão fácil,

Que no espelho ficou perdida,

 A minha sombra táctil.

**

Compreendi que muitos amigos que fiz,

Não me fizeram nada, além de inquietude,

Nem sequer saber o que é ser feliz,

Nos caminhos desta vida...eu soube.

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Antes que as mágoas me façam sangrar,

Nestes versos eu choro em palavras,

Em pranto me ponho a desabafar,

 Lágrimas das minhas lavras.

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Cristina Ivens Duarte-03/03/2017 

Saiba mais…

" Penas "

De tão longa que é a noite, ela me inunda,

De um rosa escuro, sentindo-me transportada,

Para uma cor tão linda, tão profunda,

Aonde a dor... não me dói nada.

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Minha alma alcança a leveza das penas,

E é tão pura a paixão...que me afundo,

Na sua graça e macieza ao vê-las,

Tocando na minha nudez por um segundo.

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A noite sossegada e infinita,

Segreda-me palavras excitantes,

Que as auréolas das minhas rosas tão bonitas,

Arrebitam os meus seios circundantes.

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Com sorrisos, com lágrimas de preces,

E a fé do meu amor ingénuo, a norte,

Para toda a vida se Deus assim o quisesse,

Amaria as penas, até ao fim da minha morte.

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Cristina Maria Ivens Duarte-14/02/2017

Saiba mais…
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