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Quando o Corpo Falar o Que a Boca Não Diz 

Há gestos que sussurram verdades 
que nenhuma frase ousaria revelar. 
Há silêncios que se erguem como muros 
e olhares que se desviam 
antes mesmo de a culpa encontrar abrigo. 

O corpo — esse mensageiro antigo — 
fala com a precisão de quem nunca mente: 
o tremor breve das mãos, 
o passo que hesita, 
o abraço que já não encaixa, 
o sorriso que não alcança os olhos. 

Percebemos as mudanças 
sem precisar de explicações formais. 
Porque a alma, inquieta, 
escapa pelas frestas 
antes que a boca invente desculpas. 

Nos relacionamentos, então, 
o corpo é juiz atento: 
ele denuncia o que o discurso mascara, 
ele revela o que o coração tenta esconder. 
E assim aprendemos, 
às vezes tarde demais, 
que a verdade não se esconde nas palavras, 
mas no modo como alguém permanece 
— ou se afasta — 
quando acredita que não estamos olhando. 

Quando o corpo fala 
o que a boca não diz, 
é porque a sinceridade já cansou 
de pedir passagem. 

 Jilmar Santos

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Antes Que Seja Tarde

Antes Que Seja Tarde

Antes que o tempo feche as portas
e a vida cobre o preço do silêncio,
eu deixo estas palavras à sua frente:
não por temor,
mas por cuidado.

Porque há caminhos que brilham por fora
e machucam por dentro,
há escolhas que pedem calma,
e há passos que, se dados sem pensar,
cobram dívidas que o coração não quer pagar.

Eu digo agora,
enquanto ainda há vento leve
e o céu não ameaça tempestade:
olhe ao redor,
escute o que a alma sussurra
quando o mundo faz barulho demais.

Não é advertência dura,
nem tentativa de deter você;
é apenas um gesto de quem percebe
a sombra atrás da curva
e estende a mão
antes que ela toque.

Que minhas palavras encontrem abrigo
na parte mais sensata do seu caminho,
onde a pressa não manda,
e a verdade fala mais alto.

É só isso:
um cuidado dito cedo,
um carinho colocado em versos,
um aviso doce
antes que seja tarde.

Jilmar Santos

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Quando o Coração Fica Descalço

Quando o Coração Fica Descalço

Há momentos em que o ser humano
fica descalço diante da própria dor.
A vida, tão cheia de forças e passos firmes,
de repente vacila,
e a alma, sem avisar,
entra no território frágil da vulnerabilidade.

É nesse instante—
quando o peito perde defesa
e o pensamento se torna denso—
que percebemos o quanto precisamos do outro.

De um olhar que acolhe,
de um abraço que sustenta,
de uma palavra simples
que devolve o chão aos poucos.

Às vezes é a família que ampara,
com gestos que não pedem explicação.
Às vezes é um amigo que surge
como porto improvável no meio da tempestade.

E há dias em que um desconhecido,
com um ato inesperado de bondade,
se torna a ponte que impede a queda.

A vulnerabilidade não é fraqueza:
é a lembrança de que somos humanos,
de que o corpo cansa,
a mente pesa,
e o coração, mesmo forte,
às vezes precisa repousar.

E é justamente nessa entrega,
nesse reconhecimento sincero do limite,
que nasce algo precioso:
a coragem de continuar.

Porque quem aceita ajuda
não diminui sua dignidade—
apenas aprende
que a força também mora
na humildade de ser cuidado.

Assim segue a vida,
entre quedas e mãos estendidas,
entre fragilidades e recomeços.

E, no fundo, é isso que nos une:
saber que todos, um dia,
precisam ser sustentados
para aprender a levantar de novo.

Jilmar Santos

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