Difícil é segurar meu coração!
Naquela tarde quando o sol morria
Te encontrei e foi a maior alegria.
Por um sorriso gostoso fui atraída,
Tão feliz escondi o contentamento.
Não quis demonstrar o meu sentimento;
Mas lembrei o quanto chorei na vida.
Embora a alegria fora imensa,
Pois naquele momento fiquei tensa.
Pensei o que sofri por tantos anos
E, de desespero senti fraqueza,
Um pavor de sentir a incerteza.
E provar novamente o desengano.
Lembro-me, dei uma desculpa e notaste.
Eu com a alma sofrida com desgaste,
Vi em teus olhos a desilusão.
Nos meus olhos tristonhos a vergonha.
Sem demonstrar a dor que me acompanha;
Mas juro, naquele instante senti ilusão.
Todos os dias quando caí a tarde.
Sufoco a dor e sinto uma vontade
de outra vez te ver e pedir perdão.
A incerteza impediu a minha entrega,
O que senti por ti, a alma carrega.
Difícil é segurar meu coração!
Márcia Aparecida Mancebo
Cena triste
Uma cena de tristeza
Ver rastros de fogaréu
Ver esfumaçar o céu
É ganância com certeza
Destruir a natureza
Frágil a destruição
Faz doer meu coração
Esconder bela paisagem
Queimando toda folhagem
Do meu querido torrão!
Márcia Aparecida Mancebo
21/09/24
Parabéns, Itapeva!
Duzentos e cinquenta e cinco anos de vida.
Itapeva comemora neste dia
Não canso de repetir comovida;
Parabéns, minha terra querida!
Me orgulho de ser Itapevense,
Povo amigo, povo trabalhador.
Aqui o futuro não é a Deus pertence,
Pois todos trabalham com amor.
Rapidamente Itapeva está crescendo
Matizando cada instante a paisagem,
Terra amada estou te oferecendo
Estes versos, como minha homenagem.
Márcia Aparecida Mancebo
20/09/24
As estações e a vida
Ao acordar nesta manhã de setembro;
Senti minha alma livre, sem grilhões.
Veio para a mente e, como me lembro.
Toda a beleza que há nas estações.
Na primavera flores com olores,
brisa suave, paisagem florida
Levando do viver todas as dores;
Deixando a minha estrada colorida.
No verão, minha face exposta ao vento
Sob o sol escaldante de dezembro;
Como eu era feliz naquele evento.
A minha pulcra face, não deslembro!
No outono as folhas voando pelo ar
Como se estivessem em um bailado
E caiam no chão para forrar:
Do pico da montanha até o gramado.
Como esquecer daquele inverno frio?
A alvorada gelada, nebulosa.
Enfrentar a neblina, ah, que arrepio.
E a vida a passou tão silenciosa!
Márcia Aparecida Mancebo
07/09/24
Plêiades com a letra E
Estrela
Estrela que reluz longe no céu,
Ensina - me como seguir meu trilhar,
Eu quero aprender sem nenhum escarcéu;
E entender todo esse belo brilhar!
É tão bonito olhar - te a vagar ao léu
Emanando a paz e a todos amar
Espreito - a, pois, quero a ti me igualar!
Márcia A Mancebo
15/09/2022
Envelope
Envelope pardo que a ti enviei
Escritos contém com poemas de amor
E grafei cada verso com uma flor
Espero que ao ler entenda o que sinto
Eu juro, fui sincera, não minto!
É muito triste amar assim, alguém
Envaidecido, diz não gostar de ninguém.
Márcia Aparecida Mancebo
27/01/23
Esboço
Em noite de lua cheia;
Encanto-me com a beleza!
Estrelas num bailado
Envolvem o céu com grandeza,
Enquanto a lua de lado,
Espelha-se no mar.
Esboço belo da natureza!
Márcia Aparecida Mancebo
15/09/24
Volto aqui pra rever esse lugar
Co' águas que descem da alta montanha
É com emoção que quero recordar
Dos anos, essa lembrança tamanha.
E noto que aqui nada, nada mudou
Até o som das águas é o mesmo
Apenas eu cresci e o tempo passou
E aprendi a caminhar só e a esmo!
Esse turbilhão de água que ao cair
Molha ao derredor, até meu rosto
Mas hoje eu vim aqui, não vou sair
Quero lavar d' alma todos desgostos.
Desejo sentir a alma purificada
Como na infância que aqui brincava
Com minha sombrinha com cores pintada,
Pois este respingo era o que mais amava.
Márcia Aparecida Mancebo
08/07/24
Este coração ....
Cheguei a conclusão
Nada mais me surpreende
Este meu coração
Pulsa forte, não me entende.
Só ele quer ter razão;
Entristece facilmente
Quando eu digo que não;
Ele tenta ser valente.
Faz minha alma se agitar,
Sussurrar na minha mente:
Que tenho sempre voar,
Para deixá-los contente.
Embora não obedeça
Antes que eu tenha um chilique;
Com ideias na cabeça
E atormentada fique.
Vou por ordem nesta casa.
Eu que resolvo a parada:
Comprarei um par de asas.
Cansei de ser comandada.
Mas voar, não quero não .
Preciso mais de descanso
Vou domar o coração,
Ele tem que ficar manso.
O coração não se cansa,
Perturbar a minha alma
Já não sou mais criança
Anseio viver com calma.
Caso isto não dê certo
Farei um grande leilão
Quem sabe, assim, acerto
E vendo meu coração.
Aviso com antecedência
Quem o ganhar que aguente
Não tenho mais paciência
Ele pensa que é gente!
Márcia Aparecida Mancebo
15/09/24
Força estranha
O vento ao passar trouxe mensagem:
Que toda esta tristeza irá se embora.
Que deixe de pensar: tudo é bobagem,
Que esqueça o desviver que tive outrora.
O vento mensageiro me conduz
A um futuro repleto de alegria.
E eu mudo o pensamento ao que seduz
Olhando para a vida co' euforia.
Então, no meu caminho vejo flores:
Botões de rosas se abrem no momento;
Não sinto que os espinhos causem dores.
Seguindo a mensagem, que trouxe, o vento.
E, por onde vou há uma força estranha.
Um sentimento envolve-me co' ardor…
Sem temer sigo, enfrentando a façanha;
Levando o coração cheio de amor!
Márcia Aparecida Mancebo
15/09/24
Felicidade
Sublime momento que há sintonia
entre dois seres que com alegria
dividem instantes tão belos nos dias!
Vivendo amparado pela fiel harmonia.
Somente é possível quando existe amor.
Sanar a carência e curar toda a dor;
almas idênticas se dão ao valor
e vivem em par qual pássaro, condor.
Juntos a voar pela imensidão
vivenciando com mesma amplidão
Com mesmo compasso, pulsa o coração:
Qual flores nascidas na mesma estação!
Buscar felicidade é o intento
de amantes que dividem os momentos
atraindo coisas boas ao pensamento
e seguem com brilho pelo firmamento!
Márcia Aparecida Mancebo
Eternamente
Se eu morrer amanhã, não chore.
Apenas pela minh'alma, ore.
Lembre-se que sempre que te quiz!
O impossível por ti, eu fiz.
Se falhei contigo, perdoa.
Te amei com intensa paixão;
Te dei a vida e o coração.
Não vivi ao teu lado à toa!
Com a face feliz, irei.
Lembranças deixarei, eu sei.
Tente aceitar, é a lei da vida
Não te peço flor colorida,
Sequer, homenagem eu quero;
Agradeço a felicidade
A ti, serei sempre saudade
Pelo menos, isto é o que espero.
Mas… se morreres amanhã;
Lembrarei da bela manhã
Aquela que juntos juramos
Naquele momento trocamos,
Num ato solene a aliança.
Nos dias de amor e ternura.
Foi grande amor, não aventura.
Embora, eu fosse uma criança.
Te lembrarei a todo instante,
Pois seguir sozinha é frustrante.
Tantos anos juntos vivemos,
Somente bons frutos colhemos.
Guardado está, na minha mente:
A vida nos trouxe alegria,
A teu lado aprendi a magia;
De te amar sempre, eternamente!
Márcia Aparecida Mancebo
Triste anoitecer
Ao ver o anoitecer quase sem vida
e, os pássaros voando sem destino:
Procuro pelas flores coloridas
Tão só vejo, cinzas, pelo ar, sem tino.
E o fogo escurecendo a paisagem,
Ouço gritos da vegetação que morre…
Violenta destruição a bela imagem!
Sinto que a lágrima pela face escorre.
Sinto esfumaçar meus olhos e a mente;
Qual um golpe levado pelas costas.
Bastou apenas um fósforo somente;
Para o fogaréu chegar até a encosta.
Tamanha dor entristece toda a noite,
Estrelas brilhantes não aparecem
Escondem-se na imensidão pelo açoite
E lentamente o brilho se escurece.
Márcia Aparecida Mancebo
12/09/24
Pássaro sem ninho
Na luz que se apaga e morre num sol posto
Estavam os sonhos que sonhei na aurora.
Agora, que os perdi, é grande o meu desgosto;
Pois não poderei voltar no tempo agora.
Seguirei doravante com a alma fria;
Com riso amarelo cravado na tez
Sem demonstrar que perdi toda alegria
Ao perder os sonhos todos de uma vez.
E vejo o futuro balançar ao vento
Mas tenho que ser forte pra não cair
Sonhar, posso sonhar em outro momento
Jamais serão iguais, tenho que admitir.
Os sonhos que perdi foram lapidados,
Moldado um por um com tanto carinho
Que os olhos marejam ao serem lembrados
Sem eles sou pássaro sem ter um ninho!
Márcia Aparecida Mancebo
Decisão
Nunca te pedi nada, nem migalhas;
Mesmo sabendo que tinha direito,
Sequer aceitaria, pois só tralhas
costuma oferecer, sei, é o teu jeito.
Fiz as malas, vou embora, não aceito.
Ainda mais, que não foi minha falha.
Jamais seria infiel, te respeito.
Traição, é agir igual canalha.
Canalhice, eu entendo, é desrespeito;
É ser oco, é não ter alma no peito.
Somente espero que não se arrependa.
Só te peço que nunca me procure.
Se a solidão doer se vire, cure.
Decidi, será assim, me compreenda!
Márcia Aparecida Mancebo
Te m a:
"Navegando pelos mares
Desse universo sem fim."
(Trecho do poema Sonhando contigo - JC BRIDON)
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Período de vigência
01/08/24 a 31/
Ilusão
A procura de um porto para aportar
Sou um barco perdido neste mar da vida
Pensei que as ondas pudessem me levar,
Mas já estou sentindo - me combalida.
O cansaço acelera o meu coração
E o pavor do fracasso é o meu pensamento
Mudar o habitat nesta idade é ilusão
Eu posso imergir a qualquer momento.
Os dias são curtos e as noites sombrias
As mãos enrijecem sem poder remar
Não quero cair nessas águas frias
Já não sou menina para naufragar.
Acreditei encontrar o meu destino
Neste mar dum universo tão bonito.
No entanto, entendi - viver requer tino
Há que se ter calma pra atingir o infinito.
Márcia Aparecida Mancebo
02/08/24
No sol dos meus anos
No sol dos meus anos senti calafrios
Nas noites chuvosas chorei de saudade
Vi o raio cortar a figueira no frio,
Fiquei sem abrigo, perdi a idoneidade.
Foi tanto cansaço...foi tanta amargura
Tornei - me mendiga na noites escuras
Sentindo carência clamei por abraço
Ouvindo meu grito, pensei ser loucura.
Andei pelas ruas sem rumo, sozinha
Vi a lua redonda, vi a lua minguante
Vi a tarde serena virar tardezinha
E a chuva cair no meu ser ofegante.
Fui moça, fui forte, mulher aguerrida
A mãe companheira, cuidando dos filhos.
Lutei contra a morte, lutei pra ter vida
Na estrela me espelho seguindo seu brilho.
Márcia Aparecida Mancebo
Primaveras passadas
Emoldurando na mente a saudade;
Vago por um mundo sem cor e alegria.
Pois a beleza ficou no passado:
Nas manhãs das primaveras distantes.
A visão, a memória deixou guardada
Para que fosse recordada sempre!
E é assim: quando a saudade se aproxima
Acorda a menina existente em minha alma.
Sinto minha alma suspirando à toa,
Pressinto que está no tempo voltando
Para eu rever por onde caminhei.
Somente não sabe que não irei chorar.
Acostumei viver só de lembranças,
A realidade é bem diferente hoje.
Tudo que foi vivido na juventude
Não tornará os meus dias com matizes.
Márcia Aparecida Mancebo
Lado a lado
Chamado Poético
Às vezes acho um pouquinho engraçado
Este sentimento que habita em mim.
O meu coração vive apaixonado.
E viver de sonhos me deixa assim.
Meus olhos demonstram tudo o que sinto;
Já não consigo sequer disfarçar
E quando eles chegam, logo, pressinto;
Desta vez vieram para ficar.
As lágrimas rolam, mas de alegria.
E vejo a vida tão maravilhosa:
Com eco suave de uma poesia.
E neste instante me sinto vaidosa.
É neste instante que versos componho:
Ao som deste eco tão sedutor!
Num papel em branco, lavro os meus sonhos;
Expondo a poesia com muito amor!
Márcia Aparecida Mancebo
07/09/24
Insônia
Dezoito horas. Chegou a hora da Ave Maria! O sol se põe lentamente. Da sacada, observo o céu avermelhado enquanto a cidade silencia; vejo apenas carros e ruas. É um desalento!
Lentamente, a escuridão toma conta e as luzes da cidade refletem ao longe, neste setembro com vento frio à noite. Minha alma pressente que a madrugada será um açoite.
Lentamente, as primeiras estrelas surgem no céu. Na sacada, sinto o vento gelado. Permaneço ali, com os pensamentos ao léu.
Não percebo o passar das horas e o frio aumenta. A lua já ocupa seu lugar de destaque. A noite segue calada. Ouço apitos, são os guardas das ruas.
Despeço-me da noite. Estou sem sono. Vou para a sala, onde está quente. Pego uma folha de papel e escrevo uma poesia sobre a noite fria.
Penso em me deitar para ver se adormeço, mas o apito dos guardas, que antes não incomodava, agora é um tormento.
Não há o que fazer, a não ser unir o pensamento à fantasia e esperar que o sono venha. Esta insônia chegou e, pelo que sinto, veio disposta a me fazer companhia.
Márcia Aparecida Mancebo
09/24