Posts de Márcia Aparecida Mancebo (1995)

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Sustentação

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Sustentação 
 
Eu vivo só, mas sigo acompanhada
Pela vida que tive de aguentar.
Há vozes pela via acumulada,
Insistentes, que teimam intimidar.
 
Não sou quem fui, tampouco sei sonhar;
Muito perdi velando a madrugada.
A vida é uma escultora disfarçada:
Lapida a dor, ensina-me a remar.
 
Porém, não quero glória e multidão,
Sequer aplausos; quero paz no instante
Que se ajusta bem dentro do perdão.
 
A lida pesa a quem nela é errante,
E cada queda ensina o coração
Que o chão duro sustenta o  caminhante.
 
Márcia Aparecida Mancebo 
 
 
 

 

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Comunhão

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Prosa Poética 

 

Comunhão 

Essa comunhão entre o homem e as aves demonstra gestos de afeto. Enquanto o mar murmura canções ao chegar à areia, as aves se aproximam do ancião como quem oferece carinho.

O velho estende a mão aos pássaros como quem pede proteção, pois sabe quão curta é a vida, e todo momento ativa a memória, deixando lembranças.

Não são oferecidos aos pombos alimentos, mas um braço para que pousem e satisfaçam a emoção sentida pelo homem. Nesse encontro, o coração acelera e as memórias vêm à tona.

O velho anseia aproveitar o dia ensolarado para ouvir o barulho do mar e os pássaros que por ali voam num gesto grácil.

Ceia farta de doçura: alimentos que adoçam a alma de quem já viveu momentos inusitados de belas estações.

Há perfeita harmonia entre a natureza e a amizade das aves, uma cena tão real, tão bela, que parece um sonho.

O mar, as ondas, o velho sentado, apreciando e brincando com as aves; e, a cada gesto de oferecer uma saudação à natureza, nasce encanto nos olhos de quem, de longe, aprecia o espetáculo.

Márcia Aparecida Mancebo

 

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Eu te guardo

Eu te guardo

Por onde andares, estarei te olhando
escondida entre os ramos, entre as flores
Teus passos sigo, sempre iluminando
Se caso vir chorar por sentir dores.

Eu te sentirei sem que tu me sintas.
É minha missão te fortalecer,
Que vejas no céu a luz que retinta;
E tenha como seta o alvorecer.

É no alvor da manhã que a fé está.
E o dia seja por mim dirigido;
Onde existe amor, tua alma estará.
Serena e feliz por ter me ouvido.

Estou no silêncio da ramaria,
Na tempestade dos dias com vento.
Também no medo que gera alegria;
E no sofrimento te trago o alento.

Márcia Aparecida Mancebo

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Tentativa Vã

Te esquecer, tentei, mas não consegui;
estás no dia a dia do viver;
teu belo gesto guardo ainda comigo;
o que é amar, fizeste-me sentir.

E como te esquecer, se te venero,
se a minha vida é uma recordação?
Ah, se tu soubesses como te quero,
seria santa cura ao coração!

Embora seja tarde para pedir
que voltes ser abrigo à minha alma,
me dás agora a chance em redimir
pra sentir teu afago em doce calma.

Tentei te esquecer, mas é impossível;
sem ti, viver é pura escuridão.
Ensinaste-me que tudo é possível,
mas sem teu calor, resta solidão.

Márcia Aparecida Mancebo

&

A Luta pelo Amor

Te perceber, é lutar, se necessário
Haverá de se refazer as tentativas
Que o Amor brote usuário e diário
Até que não haja mais alternativas.

Nada há de se infiltrar com solidão
Desejo o mundo nosso rastreado
Onde a paciência amiga da ocasião
Quando nosso coração é amado

Ainda é cedo, impaciente persisto
Sem qualquer brecha ao medo
Minha alma está clareada insisto
Quero refazer o Amor sem arremedo

Tua lembrança a nascente a renascer
O sol poente quer se pôr em Paz
A calma e sofreguidão de perceber
Que o nosso beijo é o Amor que trás.

A Domingos
24/01/2026

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Tentativa Vã

Tentativa Vã

Te esquecer, tentei, mas não consegui;
estás no dia a dia do viver;
teu belo gesto guardo inda comigo;
o que é amar, fizeste-me sentir.

E como te esquecer, se te venero,
se a minha vida é recordação?
Ah, se tu soubesses como te quero,
seria santa cura ao coração!

Embora seja tarde para pedir
que voltes ser abrigo à minha alma,
me dás agora a chance em redimir
pra sentir teu afago em doce calma.

Tentei te esquecer, mas é impossível;
sem ti, viver é pura escuridão.
Ensinaste-me que tudo é possível,
mas sem teu calor, resta solidão.

Márcia Aparecida Mancebo

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Liberdade

Liberdade

Caminhos percorridos sem sentido,
Sem sol pra iluminar por onde andei;
Nem sombra deixei sobre o chão rustido,
Ferindo os meus pés, sempre caminhei.

Sem pensar em vitórias, fui distante;
Não precisei do sol pra me guiar.
Segui o aroma das flores, fui avante,
Senti que não podia mais parar.

Mesmo não vendo o fim, não desisti,
Pois a esperança em mim sempre velei.
Também não liguei para o que perdi,
Apenas segui o que sempre amei.

Mesmo não tendo sentido o caminho,
Meu coração pulsava a liberdade;
Onde trilhei não me senti sozinho,
Enfrentei a escuridão sem vaidade.

Márcia Aparecida Mancebo

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Encanto Oco

Encanto Oco

Porte elegante, másculo e bonito,
é atraente, não posso negar;
leva o sonho além do infinito,
mas é preciso a beleza usar.

Não pode ter mente qual labirinto,
sem saber expressar sentimentos;
por vezes desperta o mau instinto,
revelando o vazio dos pensamentos.

Irreverente em gestos de carinho
não define a inteligência, não;
é preciso saber bem o caminho
para conquistar algum coração.

Pacto confidencial vira abuso,
forma sutil de prender alguém;
palavras doces fazem seu uso,
e a ociosidade é sempre refém.

Márcia Aparecida Mancebo
17/01/26

 

 

 

Atividade do grupo Desafio Poético com as palavras em negrito.

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Perdoa-me

Perdoa-me

Sem ter resposta, ainda ouço teu nome,
Tua presença foi esplendorosa,
Não consigo apagar teu telefone,
Nem esquecer o buquê com as rosas.

A saudade de ti, em mim, se revela,
Demonstro na face o meu sentimento,
E a noite, ainda, essa paixão me vela,
Paixão que habita no pensamento.

Quem sabe uma palavra me bastasse,
Mas o orgulho a mantém prisioneira;
Sigo meu trilhar como se carregasse
Uma pedra pesada, a vida inteira.

Restou - me calar, mas não te esqueço
Quis muitas vezes abrir o coração,
Mas teu silêncio é cruel, não mereço.
Perdoa-me é que diz minha paixão.

Márcia Aparecida Mancebo
02/01/26

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DOR

O brilho falso que mostra em teu rosto,
Não é disfarce sequer a maquiagem;
Tampouco pra mudar a tua imagem;
Atrás do brilho, esconde algum desgosto.

Não é reflexo do último sol posto,
Que, quando deita, embeleza a paisagem,
Dourando o prado, o chão, toda paragem,
Mostrando o belo que existe no oposto.

Teu olhar mostra claro todo o tédio,
Que te assola nas noites sem sentido,
Em que vela o desejo: ser querido.

Este brilho é um mal que não tem remédio,
Que corrói o teu peito, tão doido,
Por amar e não ser correspondido.

Márcia Aparecida Mancebo 

 

 

RESPOSTA

 

Se chamas falso o brilho que em mim arde,
com certeza não viste a chama inteira;
não vês que a luz, embora verdadeira,
também fere quem ama e se guarde?

Não trago no meu rosto qualquer fraude,
nem máscara emprestada ou passageira;
é mesmo dor que, funda e certeira,
reluz na minha face, com alarde!

O tédio que tu vês em meu olhar
não nasce do amor que não manteve
mas do excesso cruel de tanto amar!

Pois quem viveu na vida a acolher
aprende que é difícil suportar
a dor do grande amor que nunca teve!

Nelson de Medeiros

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Dor

Dor

O brilho falso que mostra em teu rosto,
Não é disfarce sequer a maquiagem;
Tampouco pra mudar a tua imagem;
Atrás do brilho, esconde algum desgosto.

Não é reflexo do último sol posto,
Que, quando deita, embeleza a paisagem,
Dourando o prado, o chão, toda paragem,
Mostrando o belo que existe no oposto.

Teu olhar mostra claro todo o tédio,
Que te assola nas noites sem sentido,
Em que vela o desejo: ser querido.

Este brilho é um mal que não tem remédio,
Que corrói o teu peito, tão doido,
Por amar e não ser correspondido.

Márcia Aparecida Mancebo

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A forma do Ser

A Forma do Ser

Viver exige esforço e trabalho;
A vida não é pronta: é esculpida.
É complicada, não tem seta ou atalho,
Há razão misteriosa, escondida.

O amor, matéria viva em consciência,
É pedra bruta dada em minha mão;
Sou eu que vou moldar com paciência,
Exige escolha e dedicação.

Lapidado, esse amor pode levar
Ao caos ou ao ápice do louvor;
Pois é frágil essa forma de amar,
É um romance que pode ter ardor.

Se amor é forma frágil de esculpir,
Requer da alma firmeza e direção;
Entre razão e impulso a decidir,
É o ser que dá sentido à criação.

Márcia Aparecida Mancebo
20/01/26

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Conexão de Almas

Conexão de Almas

Meu ser explode de tanta emoção,
Me encanto com a paixão que me seduz,
Pois creio que o amor é uma conexão:
de duas almas que à união conduz.

Almas em comunhão gestam o amor,
Que lentamente cresce e amadurece,
qual estrela a brilhar, com forte ardor.
Amadurecido, o amor será prece.

Uma prece onde o afeto tem poder,
E as almas seguem juntas pela vida,
ansiando somente bem viver,
seguindo por estradas e avenidas.

Um percurso alongado e misterioso,
Onde o amor é provado a todo instante.
Verdadeiro, esse laço é precioso.
São olhos que alcançam o que é distante.

Márcia Aparecida Mancebo
05/01/26

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Estarei sempre aqui

(Amor de Vó)

Estarei sempre aqui

Foi quando o sol brilhou em tua face,
que pude perceber ingenuidade.
Teus olhos brilharam, não há quem trace
o instante pleno de felicidade.

Quanto aconchego havia no teu abraço!
Meu menino já mocinho na idade,
com a alma inda criança nos meus braços,
coração palpitando — ah, que vaidade!

Cresceste no tamanho, mas a tua alma
ainda abraça a minha com amor,
pedindo colo para ter a calma,
pois crescer te traz um pouco de dor.

Não dor física, mas dor em segredo.
Entende o desafio que é viver:
agora terá que seguir sem medo;
o que enfrentar te fará crescer.

Márcia Aparecida Mancebo

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Minha História é Poema

Minha História é Poema

Quando meus dedos escrevem a história,
As palavras surgem do coração;
Alguns momentos busco na memória,
São néctares que trazem emoção.

Instantes escrevo sempre em alegria,
É pena não serem eternizados;
Passam, mostram que a lida é fantasia,
E fantasia tem tempo marcado.

Mudam rumos, seguem para distante,
Esconde o sol, o dedo continua;
Escreve com forma firme e constante,
Pois lembranças passeiam como a lua.

A trajetória da vida não esconde
O que foi vivido com avidez;
Ninguém segura os dedos, não respondem,
Minha história é poema que se fez.

Márcia Aparecida Mancebo

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Canção Adormecida

 

 

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Canção Adormecida 

O som envolvente do violino
Leva-me a viajar para um mundo
Fantasioso, belo e cristalino;
Onde me abrigo e, nessa paz, me inundo.

Abraçada à partitura, adormeço.
Em sonhos, ouço a última canção,
Que afaga meu sentir com tanto apreço.
E, angelical, aquece o coração.

Em meio às partituras, os meus anseios;
É que a canção, a ti oferecida
Una-se aos meus infindos devaneios;
E possamos unir as nossas vidas.

Assim, num gesto doce de pureza;
Cheio de ritmos do meu instrumento;
Que adentram os meus ouvidos com beleza,
Demonstrem a ti o meu sentimento.

Márcia Aparecida Mancebo
05/09/25

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Ocaso Interior

Ocaso Interior

Cai a tarde com o chão em dourado!
Restos de sol permeiam o entardecer,
Em êxtase, esqueço-me do passado.
Fecho os olhos e sonho com viver.

Em contemplação do mundo, isolada;
Filtro cada fiapo dos meus dias
Enquanto a noite segue à madrugada;
Tenho a impressão de ouvir a melodia.

A mesma melodia à luz da aurora
Que inventei cada vez que anoitecia.
E gravei na memória e canto agora.
Como um brado eloquente em euforia.

É o ocaso que provoca devaneio:
Quando penso no trajeto que o sol faz.
Sinto a alma adormecer com meus anseios
E amanhece quando o sonho desfaz!

Márcia Aparecida Mancebo
04/01/26

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ÂNCORA

ÂNCORA

Que mais posso querer, meu bem-amado,
se te entreguei minh’alma e coração?
Meus passos, por ti, já são traçados,
pois um dia selamos união.

Toda união selada é tão sagrada:
história escrita no livro do céu,
unindo o bem-amado à sua amada,
quando a noite se reveste de véu.

Nós somos capítulo dessa história,
escrita com amor e devoção.
Ansiando obter sempre vitórias:
enfrentando juntos as provações.

Assim, alados, nos faremos fortes;
a âncora será o amor que nos sustém.
Não há do que queixar — temos sorte:
deste doce querer somos refém.

Márcia Aparecida Mancebo

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O Começo Vira Fim

 O Começo Vira Fim

Quando as palavras somem
Meus olhos falam por mim,
A angústia me consome,
E o começo vira fim!

O teu nome vem à mente
Teu semblante sedutor,
Meu desejo é somente
Te abraçar com muito ardor!

É neste solene instante
Onde o silêncio habita
Que sinto que estás distante
No peito minha alma agita.

A saudade me devora,
Trazendo lembranças mortas
Como não sofrer agora
Se ouço o ranger da porta?

Márcia Aparecida Mancebo

04/01)26

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Facho de Luz

Facho de Luz

Não fujo do que me foi outorgado
Procuro apenas entender a vida.
Já acordei triste com o céu nublado,
E mesmo assim não desiste da lida.

Um ano finda e outro começa e assim:
Vou amadurecendo, isso é normal.
Mas sinto que algo permanece em mim
A sensibilidade que me é vital.

E, ao mergulhar no íntimo, eu trago.
Trago à tona o que sinto em minha alma
Quando o silêncio chega como afago
Recordo o teu abraço e isso me acalma.

Tantos anos sozinha, sigo em frente.
Sem deixar que a esperança vá se embora,
As lágrimas enxugo, pois a mente
Acorda-me para a vida como agora.

E um facho de luz leva-me a seguir.

Márcia Aparecida Mancebo
04/01/26

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Manhã de Verão

Manhã de Verão

Neste janeiro com manhã tão clara,
com cheiro de limão e mandarina,
Esse frescor meu íntimo declara
e torno a ser criança pequenina;

Ainda vejo flores no jardim.
A primavera ausente ainda insiste
Um pouco da estação e a sinto assim:
Um lábaro vital em mim persiste.

Hoje por certo a chuva não virá,
O sol voltou tão forte e luminoso
Neste verão, só brisa reinará
pra refrescar o dia majestoso.

O olor da mandarina e do limão
Um toque de perfume refrescante
Ilumina minha alma e coração,
nesta manhã de verão radiante.

E a vida segue com luz e leveza

Márcia Aparecida Mancebo
03/01/26

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CPP