Sextina da Jornada
Nos caminhos floridos há espinhos;
Há curvas com atalhos sem saída,
Pedregulhos e pedras pela estrada.
Às vezes, chão de terra já batida,
Com orquídeas nas margens dessa via,
Num riacho de água cristalina.
Ou na fonte que corre cristalina
E nasceu na montanha entre espinhos.
Essa é a jornada que sigo, é a via
Que percorro em procura de saída.
Pra não ferir meus pés — terra batida,
Com cacos espalhados na estrada.
Mas às vezes encontro pela estrada
Pedra branca, tão clara, cristalina.
Imagino que foi ali batida,
Triturada em pedaços com espinhos,
Que me mostra talvez uma saída
Existente no mato dessa via.
Aceito meu destino nesta via,
Que cegaram meus olhos na estrada.
Seguir nela é o que resta: a saída,
É meu lume essa pedra cristalina,
Pra que eu veja que há na trilha espinhos
Entre troncos no chão, terra batida.
Tempo e vento no chão, terra batida
Fica cheio de folhas pela via,
Uma sombra reluz sobre os espinhos,
Qual se fosse uma estrela na estrada.
Luz divina mostrando uma saída,
Numa explosão com gota cristalina.
Ah, estrada com pedra cristalina,
Me conduz pela terra bem batida.
Quanto mais ando, encontro uma saída,
Mais e mais sinto encanto nesta via,
Cantarolando sigo pela estrada,
Me espelhando nas flores sem espinhos.
Vejo ao longe brilhar minha saída,
Sigo firme na estrada já batida,
Pra chegar na nascente cristalina.
Márcia Aparecida Mancebo