A estrada é longa e coberta de folhas
Como a alma amargurada de ausências
Como o pranto que chega com frequência
Desmilinguando meu Ser que desfolha.
Por onde passo demonstro cansaço
Dos olhos rolam lágrimas sentidas
Aumentando a dor que carrego… oh! Vida.
Eu já não conto mais, os meus fracassos.
À cada amanhecer perco a alegria
Queria ser eterno caminhante;
Um andarilho que segue adiante.
Retirando da trilha, ramarias.
Saber o porquê da vida vazia,
Por que me acompanha a vil nostalgia?
Márcia A Mancebo
(12/09/19)
Lânguido o céu escurece opaco em sombras
A saudade aparece e faz lembrar
A tarde refletindo - se no mar
A imensidão tristonha só me assombra.
Não sinto olor do chão, sempre alfombra
que eu pisava ao correr pelo jardim...
Não vejo borboleta vir a mim,
Até na fonte a água está salobra.
Cortejo a tarde sem contentamento
Nem inspiração vem nesse momento
Meus versos jazem, não tem comoção.
Gostava de escrever sobre a beleza
que minha alma devota a natureza
mas, a palavra cala o coração...
Márcia A.Mancebo
Regozijo amar!
Nos olhos levo armas da sedução.
Os lábios carmins abertos ao beijo.
Meu corpo sem pudor, o coração
ofereço, ao amor, pois, muito desejo.
Sou toda sua, quando o Sol reluz.
A claridade que incita meu ensejo
Nesse dia lindo, esplêndida luz;
No espelho a refletir, nós dois, eu vejo.
Danço como a ave em várias performances
Em cada passo a sugerir langores
esbanjando charme e intensos fulgores.
Aos meus abraços com ardor romance
somos um só, doçura ao cavalgar.
Após a exaustão regozijo amar!
Márcia A Mancebo
Mote
Com passos lentos sem desistir
da última curva do viver.
Silente
Meu sonho foi embora com a idade,
Tudo que pensei em conquistar
a ventania levou pelo ar.
Forçosamente encarei a verdade
Silente aceitei a realidade
Que há tempo não quis entender!
Não havia mais o que fazer
a não ser conformar e seguir
com passos lentos, sem desistir,
da última curva do viver.
Márcia A. Mancebo
Pensar, vagueia pra outras esferas.
Sinto leveza que me induz sonhar,
Adentro outrora, feliz primavera
Em teus braços eu soube,o que é amar!
Foi um impacto ao te conhecer;
Teus olhos fitaram-me casualmente.
Meu coração acelerou, me fez ver,
Que amar, é não seguir só, eternamente.
Com o tempo nos tornamos parceiros
Num elo forte de bons sentimentos
Elucidando o querer verdadeiro
E cintilando todos os momentos.
Nesse enlevo sereno reina paz
Minha alma regozija de alegria
Com reservas de ternuras que se faz
O viver esbanjar-se de poesia.
Márcia A Mancebo
A vida desenrola definida
Espiando pela fresta dos dias,
Há negridão e claridade constante,
Luar, estrela e muita fantasia,
Flor colorida e pássaro sibilante...
Ás vezes passo horas a pensar,
Peripécia a vida faz com a gente
Tem dia que lembrar, me faz chorar.
Ao rememorar não sou diferente.
Sinto que o viver quer me condenar
E pelo mutismo sou abatida.
Com lágrimas dos olhos a rolar,
A vida desenrola definida.
Não há como mudar a trajetória.
Sei que o tempo leva embora a idade,
Não sou compatível com essa história,
Envelhecer chorando de saudade.
Márcia A Mancebo
Se acaso um dia em versos eu chorar
De desalento ou por vil desencanto
Feche os olhos e não veja meu pranto
Não tens motivo pra me consolar.
É com lamentação e sangue que os teço
Com volúpia e tristeza amarga esparsa
É desabafo da alma...é um comparsa
trucida....e fere por não ter apreço.
São gotas quentes ao longo da vida
Angústias loucas sem sabor e olor
em páginas lavradas sem calor.
Resquícios de uma árida ocre e ávida
boca seca sem beijo de um amor
Saem do coração vertente em vão...
Márcia A.Mancebo
Mundo de ilusão
Às vezes vejo o viver uma falácia
transmutando verdade em mentira.
Há fatos que me surpreendem… vou à galáxia
onde a fantasia o poeta inspira.
Como alquimia transmudo o pensar
Não permito que a friagem do vento
Impeça — me de ficar a sonhar;
O que almejo, está no pensamento.
Vejo — me no parque, de brinquedos, cheios.
Eu na gangorra e indubitavelmente
sem mistérios em meus devaneios
Apenas brincando alegremente.
Lá onde tudo é lindo, traz ilusão
O desamparo não é assustador,
não dá lugar para que a solidão
adentre na alma matando o amor.
Lá reina a paz e as pessoas,
tem nos olhos, candura e gestos lindos
Ri dos erros, e ri sempre à — toa
Semeiam paz para vê — la florindo.
Márcia A. Mancebo
09/09/19
Fantasia
Quando a solidão se afasta, vai embora
deixa resíduos de saudade no ar.
Volta a lucidez e a alma revigora
num suspirar forte de tanto amar.
No céu, estrelas, ao longe ofuscando
sob arranjos neutros de agonia
deixam na noite, rastros me assustando
como um cometa que passa rumo ao dia.
Em consonância ouço vozes afinadas
de um coral de pássaros anunciando
que o amor me fez refém e confinada
a um coração que forte pulsando
e, por ele, vou estar apaixonada.
E o velho tempo que só me enganou
fazendo crer que jamais me iludiria
com práticas eficientes aportou
em meu Ser e, fez-me ver que viver,
é simplesmente mergulhar em fantasia.
Márcia A Mancebo
Se me perco pensando em teu abraço
Doce laço, que tanto bem me faz!
A paz eu tenho, em teu regaço,
sou somente tua e, isso me apraz.
Abraçados, sinto que respiramos
em uníssono compasso… afinados.
O coração ao pulsar diz; nos amamos,
A um mundo azul estamos confinados.
Esse prazer inebria e a ti, me prende
com amarras de gotas de cristais.
Nossos momentos leva — me agir ternamente,
Ao me beijar, sussurro — quero mais…
Jamais pensei que eu fosse ao céu
e vivenciasse a beleza da vida,
Fosse cruzar caminhos sonhados ao léu.
Somente eu, sei avaliar quão sou querida.
E esse idílio me deixa comovida.
Esse amor em tela, reproduzido
refletiria o encanto no infinito.
Márcia A. Mancebo
Música da natureza
Nesse belo amanhecer de setembro
Pássaros assoviam na sacada
Sonolenta, mas feliz me lembro
quanto um dia me senti mui amada.
Ainda sinto os teus beijos meu amor;
Tuas mãos minha face acariciar,
Do teu corpo um calor abrasador,
Fecho os olhos e me ponho a sonhar…
Submersa em meus belos pensamentos
Abraço — me pra poder te sentir
Assim estou, em êxtase.,Bons momentos!
E desse sonho não quero sair.
A música da natureza é singela
Adormecer já não consigo mais
Suavemente levanto, abro a janela
A paisagem traz — me encanto demais…
Olhos mareiam de felicidade
As mãos que abraçaram, hoje vazias
rememora uma grande saudade
À quem a solidão, não conhecia.
Márcia A Mancebo
(07/09/19)
Parabéns CPP!
Hoje comemoramos o aniversário
desse lugar aconchegante e lindo.
Festejar é dever, é necessário
Aqui as poesias tem aroma e sentido
e espalham amor aos quatro cantos.
Nesta Casa da Poesia fiz morada
há quatro anos, com muita alegria.
Aqui estou feliz e emocionada
Essa Casa cura feridas e nostalgias.
Tudo que escrevo tem aceitação
A amizade é sincera e gratificante
Ser poeta aqui é imensa emoção
isso me deixa feliz e radiante.
A esse recanto desejo felicidades
Que sejamos sempre irmãos
Que aqui impere sempre a amizade
Que Deus nos cubra de bênçãos.
Nessa homenagem a essa Casa querida
deixo lavrado meu agradecimento
aqui tem um pouco da minha vida.
Obrigada administradores queridos
E todos poetas amigos do coração.
Márcia A.Mancebo ( 03/09/19)
Morre o sol fulgurante como tela
E o prado se encobre de cores,
Com minúcias cada detalhe revela
Paisagem matizada sem rumores.
Nesse silenciar sublime da tarde
Em ondulações o mar se acalma
Sobre a areia da praia a água evade
Deixando sensibilizada minha alma.
A noite chega em retiro e imolado
o coração, entristece de saudade.
Ainda guardo lembranças do passado.
e a solidão vem à tona e muito arde!
Como uma grinalda a estrela no céu,
ora brilhando, ora fosca em agonia
O devaneio aparece e ao léu
embarco nesse sonho com estesia.
Márcia A Mancebo
22 11 18
Quem me vê assim sorrindo;
Não sabe o que estou sentindo.
Eu não estou fingindo
Hoje, a vida brindo.
Levanto a taça da alegria.
Jogo fora a melancolia
Minha veste é a fantasia.
Com teu beijo, ganhei o dia.
Estou pronta para enfrentar
Tudo que não posso evitar.
Com fé irei preparar
Pode vir, irei te abrigar…
Quero te dar um abraço.
Gentilmente é o que faço.
Perdoe se me embaraço
No momento, ofereço o regaço.
No meu coração há espaço.
Apenas um abraço de amigos
Um caloroso abrigo
Por tempo curto, pois, contigo
desejo ficar, nosso caso é antigo.
Pois, é, fazer o quê.
Se ainda gosto de você…
Márcia A Mancebo
02/08/19
Minhas horas se perderam....esvaíram
no silêncio da tristonha solidão
Num canto vazio do meu coração
Onde um dia enterrei a velha paixão
E os carinhos mofaram ...viram pó.
Não por falta de zelo, sim, por estar só.
Mascarei por tempo, mas apareceram,
Voltaram para minha face cansada
Envelhecida e pelo tempo maltratada
Por amar veemente sem ser amada
No escuro da noite escondo o pranto
Deixo que as lágrimas espalhem pelos cantos.
Saio caminhar sem destino na madrugada
Com um lampião nas mãos. Busco o quê
Se meu sentimento está oco sem você
Não tenho motivos, não sei por que
Meu mundo desabou, ruiu de saudade
Que tornou-se constante e eterna.
Márcia A.Mancebo ( 02/09/19)